A madrasta acusada de arremessar o enteado, de apenas seis anos, do quarto andar de um prédio será julgada nesta quarta-feira (25), no Tribunal do Júri de Maceió. O caso, registrado no Benedito Bentes, na parte alta da capital, causou forte comoção entre moradores da região.

Adriana Ferreira da Silva responde por tentativa de homicídio qualificado. Segundo a denúncia, a criança foi lançada da janela do apartamento onde morava com a família. A acusação será sustentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL).

Antes do início do julgamento, a promotora de Justiça Adilza Freitas afirmou que o órgão vai pedir a condenação da ré e o aumento da pena. “Estamos aqui hoje para pedir a responsabilização criminal da madrasta que, de forma brutal, covarde e cruel, como forma de se vingar do companheiro, arremessou o enteado do quarto andar do prédio onde moravam. Esta criança, de 6 anos, estava dormindo e desacordada no momento em que foi lançada pela janela”, declarou.

De acordo com a promotora, o crime foi cometido com qualificadoras, já que a vítima estava completamente vulnerável e sem qualquer possibilidade de defesa. “Também solicitaremos o aumento da pena pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos; no caso concreto, nossa vítima tinha apenas 6 anos de idade”, reforçou.

Adilza Freitas destacou ainda que o julgamento ultrapassa o caso individual. “É importante deixar claro que não devemos aceitar esse tipo de violência contra crianças. Pais, mães, padrastos e madrastras devem cuidar, proteger e amar as crianças. Graças a Deus, esta criança sobreviveu”, afirmou.

Conforme os autos, o crime ocorreu na madrugada de 23 de maio de 2022, após uma discussão entre a acusada, o companheiro e outras pessoas. O processo aponta que houve consumo de bebida alcoólica antes do desentendimento.

Testemunhas relataram que, instantes antes da queda, foi ouvida a frase “Ele vai morrer agora”. O filho adolescente da ré teria gritado ao perceber a situação, tentando impedir a ação. Pouco depois, vizinhos encontraram o menino caído no chão, ferido e em estado de choque. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde foram constatadas lesões graves provocadas pela queda.

A acusada teria confessado o ato, alegando estar emocionalmente abalada após a discussão. Para o MPAL, a morte só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade da ré, o que caracteriza a tentativa de homicídio.

Foto de capa: Anderson Macena/Ascom MPAL