Foi registrado em Alagoas um aumento no número de casos de engasgo em crianças nos últimos dois anos. Na capital, em 2024, foram contabilizadas 23 ocorrências. Em 2025, o número subiu para 27, representando crescimento de 17,3%, de acordo com a Central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
No ano de 2026, apenas no mês de janeiro foram atendidos 5 chamados desta natureza, o que torna o cenário ainda mais preocupante e reforça o alerta das autoridades de saúde.
No Agreste do estado, a Central do Samu registrou, em Arapiraca, aumento nos atendimentos por engasgo, passando de oito casos, em 2024, para dez, em 2025, uma alta de 25%. “Os dados evidenciam a necessidade de intensificar ações de prevenção e educação em saúde na região”, informou a assessoria.
Por meio do projeto Samu nas Escolas (PSE), parceria entre a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), estudantes de Medicina e Enfermagem são capacitados para levar noções básicas de primeiros socorros a alunos das redes pública e privada de ensino.
Durante as atividades, crianças e adolescentes aprendem como agir em situações de engasgo, desmaio, choque elétrico, quedas e queimaduras.
Prevenção que salva
Além de ensinar técnicas de primeiros socorros, o programa também orienta sobre o uso responsável do número 192 e combate a prática de trotes. O Código Penal Brasileiro considera a falsa comunicação de ocorrência como crime, previsto no artigo 266. Um trote pode impedir que uma vítima real receba socorro a tempo, com risco de agravamento do quadro ou até morte.
“Os casos de engasgo são recorrentes, e o Samu atua fortemente por meio da nossa Central de Regulação das Urgências (CRU), onde médicos orientam, em tempo real, como a pessoa deve proceder até a chegada da equipe. O Projeto Samu nas Escolas tem sido fundamental para melhorar nossos índices. Reduzimos drasticamente o número de trotes e, ao mesmo tempo, ampliamos a conscientização sobre como lidar com engasgos em crianças, adultos e idosos”, destaca o coordenador-geral do Samu Alagoas, Mac Douglas de Oliveira Lima.
O enfermeiro socorrista Breitner Lima reforça as orientações e explica como agir corretamente diante de situações de engasgo.
“No engasgo parcial, a pessoa ainda consegue tossir. A orientação é estimular a tosse para tentar expelir o objeto, que pode ser um pedaço de alimento ou, no caso das crianças, peças pequenas de brinquedos ou moedas. Já no engasgo total, a vítima não consegue falar nem tossir. Nessa situação, é fundamental aplicar cinco golpes nas costas, com força proporcional ao peso da vítima. Em adultos, também é possível fazer a manobra de desengasgo, posicionando-se atrás da pessoa, fechando as mãos na altura do umbigo e fazendo movimento de baixo para cima até que o objeto seja expelido”, orienta.
O enfermeiro faz ainda um alerta especial para os idosos. “É importante evitar conversar enquanto se alimenta, especialmente no caso de idosos, pois a capacidade de deglutição pode se tornar mais comprometida com a idade. Além disso, muitos utilizam medicamentos que causam sonolência, o que exige atenção redobrada durante as refeições. Em relação às crianças, que ainda estão em fase de aprendizado da deglutição, os pais e responsáveis devem manter supervisão constante, inclusive após a amamentação, para evitar engasgos.”
Em qualquer situação de engasgo, a recomendação é ligar imediatamente para o 192. O médico regulador fornecerá as primeiras orientações e, se necessário, encaminhará uma equipe. Manter a calma ao telefone é essencial para repassar corretamente as informações.
O Samu conta com motolâncias, Unidades de Suporte Básico (USB), compostas por técnico de enfermagem e condutor socorrista, além de Unidades de Suporte Avançado (USA), que funcionam como UTIs móveis, com médico, enfermeiro e condutor socorrista, preparadas para atendimentos de maior complexidade.
Como prevenir engasgos
- Corte os alimentos em pedaços pequenos, especialmente para crianças.
- Evite que crianças brinquem ou corram durante as refeições.
- Mantenha objetos pequenos (botões, moedas e pilhas) fora do alcance das crianças.
- Supervisione crianças enquanto comem ou brincam.
- Oriente idosos a mastigar bem os alimentos antes de engolir.
- Evite que idosos conversem ou riam com alimento na boca.
- Verifique se próteses dentárias estão bem ajustadas.
- Redobre a atenção com alimentos de risco, como uva, salsicha e balas duras.
- Certifique-se de que idosos sob efeito de medicamentos sedativos estejam bem despertos ao se alimentar.
- Ofereça brinquedos adequados à faixa etária, sem peças pequenas ou destacáveis.
*Com Ascom Samu










