Com a aproximação do período mais crítico de encalhe de aves migratórias em Alagoas, órgãos ambientais reforçam o alerta à população para evitar qualquer tipo de contato com animais encontrados nas praias do estado. A partir de abril, segundo especialistas, o fluxo dessas espécies se intensifica no litoral alagoano, mas os primeiros registros já começaram a ocorrer.

De acordo com o diretor-executivo do Instituto Biota, o biólogo Bruno Stéfanes, a chegada gradual das aves acende o sinal de atenção das equipes de monitoramento. “A partir de abril temos a época mais intensa de encalhe, porém essas aves não chegam todas no mesmo mês. Alguns indivíduos já começam a aparecer agora, e isso liga o nosso alerta”, explica.

Na segunda-feira (23), um caso foi registrado no município de São Miguel dos Milagres, onde moradores encontraram um casal de aves debilitadas e acionaram a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A orientação, no entanto, é que a população não manipule os animais.

Segundo o biólogo, aves migratórias podem ser vetores de patógenos, incluindo o vírus da gripe aviária (H1N1). A transmissão pode ocorrer não apenas para humanos, mas também para criações domésticas e rebanhos comerciais, o que amplia o risco para além da questão ambiental.

O que fazer ao encontrar uma ave debilitada

A recomendação é clara: não tocar, não recolher e não levar o animal para casa. Caso a ave esteja com dificuldade para voar, aparentemente doente, moribunda ou morta, a orientação é:

  • Registrar imagens à distância;
  • Anotar ou compartilhar a localização exata;
  • Entrar em contato com o Instituto Biota, que atua como ponto inicial do grupo de emergência ambiental no estado.

A partir da notificação, as instituições governamentais que integram o comitê de resposta avaliam qual é o procedimento adequado para cada caso.

O instituto também chama atenção para o risco de interação com aves domésticas que apresentem sintomas incomuns. “Se qualquer animal apresentar sinais estranhos, é importante procurar as autoridades competentes. Pode ser um indício de gripe aviária”, reforça Stéfanes.

Com a expectativa de aumento no número de registros ao longo das próximas semanas, o alerta é preventivo. A tentativa de resgate por conta própria, além de ilegal em muitos casos, pode representar um risco direto à saúde de quem tenta ajudar.