Se estamos falando do maior escândalo dos Estados Unidos na última semana – outros virão -, não podemos  esquecer que, independentemente da questão moral (para alguns) envolvida no tema, trata-se também de uma relação de poder.

Há a mão que paga, para “usar o produto”, e há a que recebe - por necessidade ou desejo frustrado.

Mas o tema – política e prostituição – encontra rico e farto material por essas bandas.

Lembro-me de ter tido acesso a diálogos “proibidos” durante a Operação Guabiru, da Polícia Federal, cuja conclusão foi a mesma de sempre, com a vitória das mãos que dispunham do poder maior – o dinheiro.

Era constrangedor, talvez não para os que deixaram gravadas suas vozes nos grampos da PF, a conversa entre autoridades locais sobre “gatinhas” de 15, 16 anos, moradoras de bairros pobres de Maceió, de cuja “sedução” remunerada se jactava o homem da grana.

Num dos casos, especialmente, um dos envolvidos era pai de adolescentes, mulheres, na mesma idade das suas conquistas, o que não lhe provocava nenhum constrangimento.

A conclusão possível: o que o poderoso pagava a sua vítima, assim creio, era mais do que ele próprio valia. 

Recentemente, lembremos, tivemos outros casos até mais luminosos por aqui, sem que isso tivesse virado um escândalo.