Na foto o prefeito Correia aparece ladeado dos secretários de Finanças e da Cultura, durante seus esclarecimentos nas redes sociais
Conteúdo / Edmílson Teixeira
Pela primeira vez em sua história secular, o som das orquestras e a alegria dos foliões foram substituídos pelo silêncio melancólico em Santa Luzia do Norte. A cidade, vizinha à capital alagoana e conhecida por suas tradições enraizadas, tornou-se palco de um imbróglio jurídico que culminou no cancelamento do Carnaval noturno de praça pública — uma decisão que gerou uma onda de revolta que vai do gabinete da Prefeitura às bancas dos comerciantes locais.
Faltando apenas três dias para o início da folia, a Justiça atendeu ao pleito de uma única moradora. O argumento? O barulho excessivo próximo à sua residência afetaria uma pessoa doente. Embora a empatia com questões de saúde seja necessária, a proporcionalidade da medida é o que está no centro do furacão.
Para a gestão municipal e para a população, a decisão soou como um balde de água fria em um planejamento de meses. O sentimento nas redes sociais é de "luto cultural", com críticas severas à forma como uma manifestação de massa foi sacrificada em prol de um interesse individual isolado.
O prefeito Francis Correia (PP) não poupou críticas à alternativa sugerida pelo Judiciário: transferir a festa para o estádio de futebol da cidade. Segundo o gestor, a mudança "em cima da hora" era inviável por dois motivos principais:
- Custos Exorbitantes: A logística para montar palco e infraestrutura no estádio triplicaria os gastos públicos previstos originalmente.
- Dano ao Patrimônio: O campo possui grama sintética, que certamente seria destruída pela multidão, gerando um prejuízo ainda maior aos cofres municipais.
"A medida da justiça abalou comerciantes que se prepararam, investiram e agora ficaram no prejuízo", desabafou o prefeito Correia.
A indignação ultrapassou as barreiras partidárias. O ex-prefeito Márcio Lima trouxe uma reflexão ácida sobre a jurisprudência aberta por esse caso. Com um questionamento retórico, ele expôs o que muitos consideram um absurdo administrativo:
"Já pensou se uma pessoa entrar na justiça para proibir o Carnaval de Olinda alegando que em sua casa tem uma pessoa doente? Será que a justiça vai acatar esse pedido?" — indagou Lima.
Não se trata apenas de "festa". O cancelamento atinge em cheio o comércio local. Ambulantes, donos de bares e pequenos empreendedores, que veem no Carnaval a chance de garantir o sustento de meses, agora amargam estoques cheios e contas vazias.
O que se vê em Santa Luzia do Norte hoje não é apenas a ausência de blocos, mas a sensação de uma cidade que teve sua identidade sequestrada por uma decisão judicial que ignorou a vocação histórica do município.










