O assédio moral deixou de ser um problema pontual e se consolidou como a principal queixa de servidores e servidoras do Ifal. Essa constatação não decorre de percepções individuais, mas dos atendimentos realizados pelo setor jurídico do Sintietfal.

Em apenas cinco meses de atuação, a nova assessoria jurídica do sindicato registrou um volume expressivo de denúncias envolvendo TAEs e docentes de diferentes campi, setores e funções. Segundo o advogado João Wanick, responsável pelo plantão jurídico, o cenário observado no Ifal não encontra paralelo em sua experiência na advocacia sindical, que inclui vínculos federais, estaduais, municipais e celetistas.

A entrevista abaixo, concedida por João Wanick ao Informativo do Sintietfal nº 23, publicado em fevereiro de 2026, evidencia que o assédio moral não é um problema individual, mas uma questão coletiva, institucional e de saúde do trabalhador, que exige enfrentamento com acolhimento, organização e ação sindical.

Sintietfal: A procura pela assessoria jurídica aumentou. Qual o principal tema dessa procura?

Advogado: Assédio, sem dúvidas.

Sintietfal: O assédio é específico de algum campus ou generalizado?

Advogado: Generalizado. Recebo servidoras e servidores de diversos campus e diversas funções. O número é absolutamente surpreendente e, preciso registrar que, atuo na advocacia sindical desde 2008, presto e prestei serviços para sindicatos com vínculos federais, estaduais, municipais e C.L.T., proporcionalmente e, talvez em termos gerais, não encontrei cenário similar.

Sintietfal: Pode-se dizer que há uma institucionalização do assédio no Ifal?

Advogado: A meu ver, infelizmente, sim. Aparentemente, inclusive, utilizado como meio para suprimir, coibir posições contrárias às decisões de gestão e opiniões que, eventualmente, pudessem ser corroboradas por outros colegas.

Sintietfal: Quais os principais impactos na vida do servidor/a?

Advogado: O primeiro é a saúde. Sem dúvida. As servidoras e os servidores podem até reagir diferente em um primeiro momento à conduta do assédio, mas, invariavelmente, passam a ter um adoecimento psicológico que, por sua vez, alcança os relacionamentos interpessoais profissionais e pessoais.

Sintietfal: O que deve fazer o/a servidor/a assediado?

Advogado: O primeiro contato que sugiro é com o Sindicato, através da comissão contra essa prática. Neste primeiro contato, vamos ouvir a situação e fazer os encaminhamentos. O natural é que haja um apoio psicológico, que desencadeia em afastamento, emissão da comunicação de C.A.T. (nexo causal) e, então, a representação administrativa do envolvido e, se for o caso, a judicialização em face do empregador que tem o dever de manter a higidez do ambiente de trabalho.

Informativo do Sintietfal nº 23: https://www.sintietfal.org.br/wp-content/uploads/2026/02/jornaldosintietfal2026web-2.pdf