O ministro Celso de Mello (STF), aposentado em 2020, era conhecido, entre outras coisas, por não ter vida social compartilhada com outras autoridades e empresários que se espalham por Brasília.

Sua discrição era elogiada por muitos, mas seguida por poucos entre os seus colegas de agora. 

Ninguém, ao que parece, precisava dizer a ele o que era certo ou o que era errado, essas coisas que uma boa educação doméstica e moral nos ensina desde o princípio da formação de um indivíduo. 

É lamentável que nos pareça a todos urgente, nesta quadra da vida brasileira, a elaboração e divulgação de um código de ética para os ministros do Supremo Tribunal Federal, de quem se espera(va) um comportamento que não suscitasse dúvidas em relação a suas decisões ou respeito às leis que juraram defender. 

Mas o festival de traquinagens, para dizer o mínimo, que eles praticam à luz do dia e que temos acompanhado, perplexos, faz um mal imenso, e não apenas aos integrantes do próprio Judiciário brasileiro, já tão carente de credibilidade, mas a todas as autoridades públicas – o que termina por se replicar entre os cidadãos comuns, que haverão de dizer: “Se eles podem...”.

Fato concreto e objetivo: as instituições no Brasil vivem das virtudes individuais, mas não são elas próprias virtuosas, uma porta de entrada de gente que há de se tornar referência funcional e moral (discordo radicalmente dos que acham que a vida pública deve estar dissociada dos princípios de moralidade).

Se assim é ou continuar sendo, eis, pois, uma das razões do nosso atraso social.

Então, tome Código de Ética para os ministros do STF, o mesmo que rege a vida das pessoas comuns honestas e respeitáveis.