O Ministério Público de Alagoas (MPAL) cobrou melhorias nas condições de trabalho da Polícia Militar, maior celeridade na implantação de câmeras corporais e a entrega imediata de viaturas durante reunião com o Comando de Policiamento da Região Metropolitana (CPRM), realizada a convite da corporação. O encontro ocorreu após a apresentação do balanço das operações policiais de 2025 em Maceió e cidades circunvizinhas, que apontou redução da violência e aumento da eficiência policial em comparação com 2024.
A reunião foi conduzida pelo comandante do CPRM, tenente-coronel Hiraque Agnes, e contou com a participação da promotora de Justiça Karla Padilha, coordenadora do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial e titular da Promotoria de Controle Externo da Capital. Embora tenha elogiado os resultados estatísticos apresentados, a representante do MPAL destacou problemas estruturais históricos que, segundo ela, impactam diretamente o desempenho da tropa.
Entre os principais pontos levantados estão a precariedade física de alguns batalhões da capital, a exemplo do 5º Batalhão, o atraso considerado excessivo na conclusão da reforma do Quartel do Comando-Geral da PM e a necessidade de avançar com urgência na implantação das chamadas bodycams nos uniformes dos policiais militares.
“Os números são positivos e merecem reconhecimento, mas o policiamento ainda precisa ser melhor aparelhado. Há unidades em condições extremamente precárias, situação que se arrasta há anos e afeta o desempenho das atividades. Um ambiente de trabalho inadequado impacta diretamente na qualidade do serviço prestado à população”, ressaltou Karla Padilha.
A promotora também abordou questões relacionadas ao pagamento da verba de fardamento e à não distribuição de viaturas destinadas às Bases Comunitárias, que permanecem paradas em um pátio, expostas ao sol e à chuva. Segundo ela, a justificativa apresentada foi de que a entrega teria sido suspensa em razão de um grave acidente ocorrido no interior do estado, mas o MPAL espera que a situação seja resolvida o mais rapidamente possível.
“Mais viaturas nas ruas significam mais guarnições, mais policiamento ostensivo e melhor proteção da sociedade. Não há justificativa plausível para que esses veículos ainda não estejam a serviço da população”, afirmou.
Outro tema recorrente foi o atraso na conclusão da reforma do Quartel-Geral da Polícia Militar de Alagoas. As obras tiveram início em abril de 2022, com previsão inicial de seis meses para conclusão, mas já se aproximam de quatro anos sem entrega. O caso é acompanhado pela 62ª Promotoria de Justiça da Capital e pela Promotoria da Fazenda Pública Estadual.
“A demora na reinauguração do quartel, além de prejudicar o trabalho administrativo e operacional, gera despesas extras ao erário com a locação de imóveis para acomodar comandos e setores da PM”, explicou a promotora.
Sobre a implantação das câmeras corporais, foi informado que o processo está avançado, mas segue sob responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e que nem todas as guarnições utilizarão o equipamento. O MPAL acompanha a implementação da medida há anos, por reconhecer a importância da ferramenta tanto para a proteção da população quanto dos próprios policiais.
Durante a reunião, também participaram o major Alucham Fonseca e o capitão Pedro Bento. Foram apresentados dados sobre mortes violentas intencionais, recuperação de veículos, prisões em flagrante, apreensões de armas e drogas, atendimentos do 190, ocorrências de violência contra a mulher e cumprimento de mandados. Os números comparativos entre 2024 e 2025 indicaram queda nos índices de violência e aumento da produtividade policial.
Ao final do encontro, a promotora Karla Padilha visitou os diversos setores do CPRM e reforçou que o Ministério Público continuará acompanhando de perto as demandas estruturais e operacionais da Polícia Militar na Região Metropolitana.
*Com assessoria










