Eu estava de férias quando o colunista Lauro Jardim publicou (20 de janeiro), em O Globo, que o senador Renan Calheiros teria ameaçado JHC de atuar contra ele no caso envolvendo o desperdício de R$ 100 milhões do IPREV Maceió nos títulos podres do Banco Master.
Para tanto, usaria a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado - presidida pelo emedebista.
Imposição do senador: que o prefeito de Maceió não disputasse a eleição com o Filho, ao governo do Estado.
No mesmo dia, recebi uma ligação de Fábio Farias, ex-secretário de Renan Filho e estreitamente ligado ao senador Calheiros, confirmando o encontro – que foi na casa dele, na Barra de São Miguel -, mas negando a ameaça.
Disse, inclusive, que estavam presentes na “reunião social” as respectivas esposas e o senador Fernando Farias, que conhece JHC desde os cueiros – ele também é bastante ligado a JC pai.
Não tenho nenhum motivo para duvidar da versão de Farias, a quem respeito bastante.
Parece-me que falta uma lógica primária na informação: Calheiros é, sim, do tipo que parte para cima dos adversários, mas está longe de ser uma alma tosca. Se fosse o caso, ele agiria, mas não bradaria sua suposta intenção.
E tem mais: Calheiros sabe que o prefeito JHC não é “um cão sem dono”, desamparado no centro de poder, em Brasília, e por mais que ele esteja jogando sua vida na eleição deste ano, não haveria de fazer novos inimigos.
O que mais me chama a atenção é que o tema, que veio a público em 20 de janeiro, tenha tomado conta das conversas de bastidores até os dias de agora, sem que nenhum dos envolvidos tenha se pronunciado oficialmente. Quando o fizeram, foi informalmente, através dos assessores.
Em tempo:
Qualquer político com mandato deveria se interessar pelo tema “Banco Master”, até porque o banqueiro Daniel Vorcaro comprou metade da República – pelo que consta.










