Um paciente diabético, de 79 anos, com risco de amputação, está internado há quase 50 dias em um hospital de Maceió aguardando a realização de uma cirurgia vascular considerada urgente, enquanto o plano de saúde Smile se recusa a liberar o material indicado pelo médico responsável. 

De acordo com informações dos familiares, mesmo após decisão judicial que determina a autorização do insumo necessário para o procedimento, o plano liberou materiais com qualidades diferentes das solicitadas, o que impede a realização da cirurgia.

O paciente está internado desde o dia 15 de dezembro de 2025. Segundo o filho, o pai deu entrada no hospital após desenvolver uma ferida no pé. Exames realizados na unidade identificaram obstruções severas nas artérias dos membros inferiores, com calcificação e comprometimento da circulação sanguínea. A equipe médica indicou a realização de uma angioplastia, procedimento utilizado para desobstrução das artérias.

Após a indicação médica, o hospital encaminhou o relatório ao plano de saúde para liberação do material necessário à cirurgia. De acordo com a família, o convênio demorou a responder e, diante da falta de autorização, a situação foi judicializada. A Justiça concedeu liminar determinando que a Smile liberasse os materiais solicitados pelo médico, sob pena de multa diária de R$ 300.

Mesmo após a decisão, o plano autorizou apenas parte dos insumos, substituindo o material principal por uma opção de menor custo. O médico responsável pelo caso informou à família que não realiza o procedimento com o material disponibilizado, pois, segundo ele, o stent indicado é específico para a idade e o quadro clínico do paciente e é fabricado por um único fornecedor.

“Esse stent é importante porque ele contém uma substância que se chama heparina, que é um anticoagulante, além dele ser um pouco maior e atingir um tamanho maior da veia. Ele é muito mais eficiente e muito mais seguro para o meu pai”, disse Pedro, filho do paciente. 

Com isso, a cirurgia segue sem data para ocorrer. A família afirma que, como houve liberação parcial, o plano entende que cumpriu a decisão judicial e, por isso, não paga a multa diária estabelecida. O hospital, segundo os familiares, não tem impedimentos operacionais para realizar o procedimento, mas não pode avançar sem o material adequado.

O paciente permanece internado, com agravamento do quadro no pé afetado e risco de amputação. A família afirma que já enfrentou situações semelhantes em cirurgias anteriores, quando o plano de saúde também liberou materiais diferentes dos solicitados pela equipe médica.

Essa não é a primeira vez que o plano enfrenta denúncias por não liberação de materiais. Ainda neste mês, um vídeo divulgado nas redes sociais relatava a situação de uma outra paciente, cardíaca, que precisava realizar um procedimento, mas não conseguia os materiais.

A Redação do CadaMinuto tentou contato com a assessoria do Plano Smile, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.