Maceió está entre as 21 regiões metropolitanas brasileiras contempladas pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), conduzido pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades, que traça um panorama detalhado das necessidades e soluções para o transporte público de média e alta capacidade em todo o país.
Estudo revela que a capital alagoana terá cinco grandes projetos voltados à implantação de corredores de ônibus e sistemas BRT, com investimentos estimados em R$ 2,07 bilhões. As ações fazem parte de uma estratégia de longo prazo que projeta melhorias até o ano de 2054.
Cinco novos eixos de mobilidade para Maceió
De acordo com o estudo, Maceió não possuía, até então, uma rede de transporte estruturada de média ou alta capacidade. O ENMU propõe, portanto, a criação de 42 quilômetros de novas linhas que formarão a Rede Futura de Transporte Público Coletivo (TPC-MAC).
Entre os principais projetos estão:
Implantação do BRT Fernandes Lima, principal eixo de transporte da cidade, com 15,2 km de extensão;
Extensão do BRT até o Aeroporto Zumbi dos Palmares, com 2,6 km adicionais;
Corredor da Avenida Menino Marcelo, com 6,5 km;
BRT (ou VLT) da Avenida Gustavo Paiva, com 9,3 km e opção tecnológica elétrica;
Corredor da Avenida Josefa de Melo, com 8,8 km.
Somados, os projetos visam melhorar a fluidez dos deslocamentos, reduzir o tempo de viagem e garantir maior conforto e previsibilidade aos usuários do transporte público.
Impactos econômicos e sociais
O levantamento indica que as melhorias propostas gerarão ganhos econômicos e sociais expressivos para Maceió. Entre os benefícios estimados estão:
Redução média de 5% no tempo de deslocamento dos passageiros;
Corte de 4% a 5% nas emissões de CO₂ até 2054;
Redução de 2 a 3 mortes no trânsito por ano, graças a sistemas mais seguros;
Economia de 11% no custo operacional por viagem;
Aumento de até 40% na acessibilidade a empregos, saúde e educação em até 45 minutos de deslocamento.
O valor social presente dos benefícios calculados pelo ENMU para Maceió supera R$ 1 bilhão no cenário padrão e pode chegar a R$ 1,52 bilhão no cenário otimizado.
Financiamento e próximos passos
O estudo aponta que, em todo o país, as receitas tarifárias cobrem apenas 23% do total necessário para implantação e operação dos projetos em um prazo de 35 anos. Assim, Maceió dependerá de recursos públicos e parcerias privadas para viabilizar as obras.
Entre as alternativas estão fundos federais e estaduais, linhas de crédito do BNDES, e a estruturação de parcerias público-privadas (PPPs).
O ENMU também propõe a criação de fundos garantidores e mecanismos de financiamento sustentáveis, inspirados em modelos internacionais bem-sucedidos, como o de Bogotá e Lisboa.
Mobilidade como vetor de desenvolvimento
Segundo o relatório, os investimentos previstos para Maceió deverão transformar a dinâmica urbana da capital, promovendo maior integração entre áreas residenciais, comerciais e turísticas. A implantação dos corredores e sistemas BRT também deve estimular a economia local, gerar empregos e valorizar imóveis ao longo dos novos eixos de transporte.
Além de reduzir congestionamentos e emissões, os projetos deverão redefinir o padrão de mobilidade urbana de Maceió, alinhando a cidade às diretrizes da Estratégia Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável, que prevê prioridade ao transporte coletivo e aos modos não motorizados até 2054.










