A chegada das criptomoedas afetou e continua afetando profundamente o sistema bancário tradicional no Brasil. E agora está influenciando as discussões sobre política monetária em âmbito nacional. Enquanto governos e instituições financeiras tentam se adaptar a esse cenário, surgem iniciativas para empregar as moedas digitais em diferentes áreas.

Além de questões práticas, como a estabilidade do valor do ativo digital, embora 90% das transações sejam feitas com stablecoins, há também preocupações sobre a regulação e sobre a forma de declarar esses rendimentos. O Banco Central divulgou dados apontando que, somente no primeiro semestre de 2022, foram registrados mais de R$ 16 bilhões em transações relacionadas a cripto.

Esse volume inclui compras, vendas e transferências, revelando um interesse cada vez maior por parte de investidores de todos os perfis. Com esse tamanho de mercado, vemos que é preciso mais do que somente ter uma carteira de criptomoedas. O país já conta com mais de 4 milhões de pessoas físicas declarando ativos digitais. E isso reflete tanto a curiosidade de pequenos investidores quanto a busca de grandes empresas por diversificação.

Em paralelo, a implementação de normas para operações com criptoativos vem sendo analisada pelo Congresso Nacional, mostrando que o poder público reconhece a relevância do tema e busca criar um arcabouço regulatório. A Comissão Especial sobre Direito Digital, por exemplo, prorrogou até março de 2025 o prazo para a consulta pública sobre a regulamentação de criptoativos.

A adoção das criptomoedas pressiona bancos tradicionais, a inovar na oferta de serviços. Cada vez mais, instituições bancárias, como o Banco do Brasil, o Itaú Unibanco e o BTG Pactual, discutem parcerias com fintechs para integrar soluções de blockchain e pagamentos instantâneos, com o objetivo de reduzir custos operacionais e atrair novos clientes.

Bancos digitais como o Banco Inter têm integrado a compra e venda de criptomoedas em suas plataformas, oferecendo um ecossistema completo que agrega serviços bancários tradicionais com operações cripto em um único aplicativo. Além disso, o uso de criptos pode reduzir a dependência do real em transações de alto valor, influenciando diretamente a forma como o Banco Central define juros e lida com políticas de injeção ou retirada de dinheiro no mercado.

Em 12 de março de 2025, foi apresentado o Projeto de Lei 957/2025 pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, propondo a regulamentação do pagamento de salários, remunerações e benefícios trabalhistas utilizando ativos virtuais. De acordo com a proposta, empregados poderiam receber parte de sua remuneração em criptomoedas, desde que, no mínimo, 50% do salário seja pago em moeda corrente nacional.

Embora ainda sejam consideradas experimentais, propostas como o pagamento de salários em Bitcoin oferecem um vislumbre de como o país pode reorganizar seu ecossistema econômico e monetário nas próximas décadas. Segundo informações divulgadas pela Receita Federal, o número de pessoas que declaram criptomoedas está crescendo muito. Em setembro de 2024, empresas brasileiras importaram US$ 1.429 bilhão em criptoativos, um aumento de 40% em relação ao mesmo período de 2023.

Isso indica um amadurecimento do mercado e a possibilidade de que possa ser vista como uma boa alternativa de armazenamento de valor. No entanto, persistem debates sobre a volatilidade dos preços e a falta de garantias institucionais, o que faz com que muitos economistas mantenham um olhar cauteloso em relação ao grau de exposição que os indivíduos devem ter nesse segmento.