Quem tem formação técnica vive um bom momento para se recolocar no mercado, segundo um levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com os menores índices de desemprego da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há escassez de mão de obra qualificada superior a 35% nos postos abertos em relação às 203 profissões mais representativas do mercado formal. Isso tem levado os setores a elevar os salários iniciais como forma de atrair trabalhadores, revela o estudo.

O levantamento, que considerou dados dos 12 meses encerrados em outubro de 2024, aponta que o setor de serviços registrou as maiores altas nos salários de contratação. O aumento para técnico em secretariado, por exemplo, foi de 17,3%, e para professor de educação infantil (crianças de 4 a 6 anos), 14,6%.

O estudo também destaca outros cargos com aumentos nos salários iniciais, como técnico de enfermagem (10,6%), técnico de vendas (9,5%), professor de nível superior na educação infantil (0 a 3 anos) com 9,2% de aumento, fisioterapeuta geral (8,6%), zelador de edifício (8,3%) e auxiliar de pessoal (8,3%). Confira no quadro abaixo o ranking com as profissões com falta de mão de obra qualificada que tiveram maior percentual de reajuste salarial neste ano.

Profissões com escassez de mão de obra e maiores aumentos salariais

OcupaçãoVariação do salário de admissãoVariação do estoque
Técnico em secretariado17,3%0,6%
Professor de nível superior na educação infantil (4 a 6 anos)14,6%0,4%
Técnico em manutenção de máquinas13,6%3%
Operador de máquinas-ferramenta convencionais11,1%0,7%
Mecânico de manutenção de máquinas, em geral11%2,3%
Técnico em enfermagem10,6%5,7%
Caldeireiro (chapas de ferro e aço)10%0,9%
Técnico de vendas9,5%0,3%
Soldador9,4%0,3%
Trabalhador volante na agricultura9,4%5,2%
Professor de nível superior na educação infantil (0 a 3 anos)9,2%1,3%
Tecnólogo m logística de transporte9,2%1,4%
Porteiro de locais de diversão8,7%5,7%
Vendedor pracista8,7%1,2%
Trabalhador da pecuária (bovinos cortes)8,7%0,7%
Montador de veículos (linha de montagem)8,7%9,9%
Fisioterapeuta geral8,6%5,3%
Embalador, a máquina8,6%1,5%
Mecânico de veículos automotores a diesel (exceto tratores)8,5%2,5%
Trabalhador no cultivo de árvores frutíferas8,4%8,3%
Zelador de edifício8,3%2,5%
Auxiliar de Pessoal8,3%7,2%
Montador de andaimes (edificacoes)8,3%1%
Professor de Nivel Superior do ensino fundamental (primeira a quarta Serie)8,3%0,6%
Embalador, à mão8,2%20,5%

Fonte: CNC

 

Crescimento econômico

Segundo dados do IBGE, o terceiro trimestre de 2024 registrou uma participação de 62,4% da força de trabalho em relação à população total do país, abaixo dos 63,6% registrados no período pré-pandemia. Essa diferença de 1,2% representa três milhões de pessoas a menos em busca de emprego.

— Com o mercado de trabalho registrando nível de desemprego histórico, de 6,4%, este impacto já era esperado. A taxa de crescimento da economia superou as expectativas na primeira metade do ano, e o crescimento do PIB contribui para este fenômeno, assim como outros fatores, como a redução da população na força de trabalho — diz o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

De acordo com o economista da CNC responsável pelo estudo, Fábio Bentes, a falta de profissionais tem sido mais observada em períodos de maior crescimento econômico, especialmente após 2020, quando o mercado de trabalho começou a se expandir. Da mesma forma, em períodos de retração econômica, o cenário se inverte.

— O aumento salarial inicial das categorias é uma consequência direta da disputa entre as empresas por mão de obra qualificada — explica Bentes.

 

'Nunca estou desempregada'

A técnica em enfermagem Victória Gaia, de 27 anos, conta que após a formatura do curso, encontrou emprego rapidamente. Ela destaca que desde que se formou quase nunca está desempregada.

— Ter feito curso técnico me abriu uma porta que antes eu não conseguia cruzar. Desde que eu me formei como técnica, quase nunca estou desempregada. Claro que já troquei de hospital e até de setor, optando por uma experiência mais geral em várias esferas do cuidado, mas estou sempre recebendo novas propostas, desde hospitais até plantões particulares — diz.

Edson Melo, gerente de Educação Profissional da Firjan Senai, comenta que os cursos de qualificação são uma oportunidade para se destacar:

— Em um cenário de crescente demanda por profissionais qualificados, os cursos de qualificação profissional são uma oportunidade única para quem busca se destacar e construir uma carreira promissora no mercado de trabalho, expandindo seus horizontes de empregabilidade e renda —comenta.