É bem verdade que Paulo Dantas há de ter sentido um grande alívio com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que mandou para a justiça do primeiro grau um inquérito da Operação Edema – aquele dos fantasminhas que teriam rendido R$ 54 milhões para o hoje governador, nos seus tempos de Assembleia.
(Para quem não viu, foi publicada aqui no Cadaminuto.)
Por que o alívio?
Porque aqui, é notório, o doutrinador da área é o deputado Marcelo Victor, cuja hermenêutica tem sido vitoriosa no meio jurídico.
Coisa de gênio.
O incômodo para Paulo Dantas e seus aliados, entretanto, é que ao mandar o inquérito para a justiça local, como os advogados de Dantas queriam, o ministro indica que a rachadinha - de 2019 e seguintes - não foi criação da “gestapo”, como o senador Calheiros batizou a PF naquela ação de 2022.
Ou seja: não foi descartada a denúncia da PF, apenas aquilo que a operação do ano passado, autorizada pelo STJ e que gerou o afastamento de Dantas, conseguiu amealhar de novas provas.
Pelo que se tornou público então, antes mesmo da operação, há muito para a hermenêutica victoriana descartar como “injusto” e "caluniador".
Vai acontecer, creio, mas a matéria ainda vai incomodar à turma da alegria.
Pode-se até dizer que todo mundo tem “seus fantasmas”. E é verdade.
Nem todos, porém, têm fantasmas com CPF e conta bancária.
