Em questão de ordem apresentada no Senado, o senador Rodrigo Cunha (Podemos) questionou quais seriam os reais interesses do senador Renan Calheiros (MDB) em buscar a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a atuação da Braskem em Alagoas. No documento, Cunha afirma que Renan teria ligação direta com a antiga Salgema e com a Odebrecht, nome da atual Novonor, uma das donas da Braskem. A questão ainda prova que Renan estaria impedido legalmente de atuar em uma CPI da Braskem.

“Defendo sim investigar e responsabilizar a Braskem, mas o que não posso é me calar diante do uso politiqueiro e da tentativa de Renan Calheiros de defender seus interesses pessoais usando uma CPI e o Senado Federal. Sempre defendi e continuarei defendo a população do Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e região. Esta população merece reparação justa com relação prejuízo que a Braskem causou em Maceió. O que foi pago como indenização não paga o sofrimento destas famílias. Investigar e responsabilizar a Braskem, sim. Usar o Senado para barganhar em benefício próprio, jamais” disse Rodrigo Cunha.

“O senador Renan Calheiros está intimamente ligado à empresa que pretende ‘supostamente’ investigar, o que desvirtuaria o objetivo do Inquérito Legislativo, que passaria a servir de instrumento ao autor principal do requerimento para promover seus interesses pessoais.  Minha dúvida específica é se é possível que o senador que tenha interesse pessoal no fato determinado a ser investigado por Comissão Parlamentar de Inquérito possa ser autor principal de Requerimento de criação da Comissão, ser Presidente, Relator ou mesmo membro do colegiado” prosseguiu Cunha.

O senador Renan Calheiros já foi Presidente da Salgema Indústria Química S/A entre os anos de 1993 e 1994. A Salgema começou suas atividades em Alagoas em 1976. Em 1996, a Salgema passa a se chamar Trikem, a qual, em 2002, fundiu-se com outras empresas formar a Braskem. Atualmente, cerca de 40% de participação na Braskem pertencem à empresa NOVONOR, que é o novo nome da Odebrecht. E o senador Renan Calheiros foi acusado, em delação, de ter recebido suborno do setor de propinas da Odebrecht para favorecer a empresa em esquemas de corrupção”, afirmou o senador do Podemos.

Ainda para Cunha, “outro ponto que prova, sem sombra de dúvidas, a relação pessoal do Senador Renan Calheiros com o objeto da CPI, é que seu filho, Renan Filho, era governador do estado de Alagoas enquanto a tragédia ocorria. E enquanto Governador não atuou para impedir o desastre nem para diminuir os danos causados à população e ao meio ambiente. Pelo contrário, permitiu a exploração do mineral sal-gema pela empresa Braskem através dos alvarás de permissões de exploração durante todos esses anos”.