O onshore brasileiro e, principalmente, o localizado no Nordeste tem potencial de crescimento enorme. Com preço competitivo e possibilidade de novos negócios criados, como a estocagem, cada ator do setor vai dando nova formatação e ampliando a participação do óleo e gás produzidos em terra. Hoje, segundo dados da ANP, o setor representa 5% da produção nacional. Para propiciar que este fenômeno ocorra, são necessárias melhorias na infraestrutura, principalmente para o escoamento do produto. Esta foi a conclusão de empresários, estudiosos e autoridades de governo e reguladoras que passaram pelos três dias de discussões ocorridas no Onshore Week, seminário realizado em Maceió nos dias 11,12 e 13 de abril.

No evento, a Origem Energia apresentou seu projeto de estocagem de gás para terceiros em campos depletados (exauridos ou sem valor comercial). Estocar é uma nova fronteira negocial que a empresa está abrindo em seu portifólio.

O primeiro estoque de gás no mundo foi criado em 1915, no Canadá. De lá para cá o cenário mudou. Os EUA possuem hoje 6 mil produtores de estoques, mais de 80% deles são em campos depletados – modelo a ser seguido pela Origem. Na Europa, são estocados hoje 110 milhões de metros cúbicos em 170 instalações. No Brasil, não existe. Para colocar o negócio em atividade, a empresa está aguardando regulamentação da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

“O gás é uma riqueza valorizada no mundo, principalmente após a guerra Rússia X Ucrânia. Não podemos no Brasil ficar dependendo apenas de importação”, avalia o diretor Técnico da Origem Energia, Nathan Biddle.

Ele explica também que, no mundo, o gás natural serve como uma reserva para os momentos em que as energias renováveis passam por problemas, pois o gás é o insumo mais limpo, barato e que está disponível o tempo todo. Já as renováveis dependem de fenômenos naturais e podem sofrer intempéries como seca, por exemplo.

“A interrupção da energia é um problema que atinge a todos e por isso o suporte do gás é necessário. A população precisa de energia para situações até simples como ter uma geladeira sempre gelando, principalmente em países mais pobres. Da mesma forma, as indústrias precisam ter seus equipamentos funcionando conforme programado para não haver desabastecimento. Por isso o fornecimento precisa ser seguro, característica que somente o gás possui.”, completa Biddle.

A Origem Energia também tem o projeto de interiorizar o fornecimento de gás por small scale (pequena escala), levando-o por rodovias num raio de 700 km. “O setor tem potencial gigante. Precisamos de mais operadores, mais Lunas”, frisou o presidente da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, fazendo referência à sócia Luna Viana, engenheira do setor que iniciou sozinha a empresa concorrendo em leilões de desinvestimento da etrobras com grupos gigantes.

Coutinho frisou ainda que o desenvolvimento promovido pelos novos empreendedores do setor de gás, principalmente no Nordeste, é gigante e tem capacidade de gerar riqueza e renda. “Os empregos de qualidade são a melhor forma de redução da desigualdade”, ressaltou.