A instalação da Comissão Especial de Investigação que vai apurar os trabalhos da BRK em Maceió, na Câmara Municipal da capital alagoana, já abriu com uma polêmica que incomodou alguns vereadores da Casa de Mário Guimarães. 

 

No dia de ontem, durante uma coletiva na Câmara Municipal de Maceió, o vereador e presidente da CEI, João Catunda (Progressistas), afirmou que alguns colegas foram procurados para retirarem a assinatura de apoio à Comissão de Investigação, mas que não cederam e demonstraram unidade e apoio. 

 

A partir da fala de Catunda surgiram especulações nos bastidores, inclusive que a pressão teria vindo ou da empresa ou do MDB, o que poderia inclusive gerar a saída de edis da sigla. 

 

As especulações foram rebatidas, na sessão de hoje, por alguns edis, dentre eles o vereador Chico Filho (MDB). 

 

“Não recebi qualquer ligação. Ninguém do MDB, bancada da qual sou líder, foi procurado para retirar a assinatura da CEI. Houve falas no sentido de vereadores serem intimados (…) Ao que me parece se quis passar que os da CEI são independentes e os outros não”, colocou Chico Filho.

 

Nos bastidores, se falou de pressões por parte da empresa ou por parte de grupos do governo do Estado de Alagoas, que conduziu o processo de concessão da BRK. “Isso não é verdade. Os vereadores estão fazendo seus trabalhos. Houve aqui (na Câmara de Maceió) trabalhos envolvendo Braskem e a própria BRK, com todos respeitando os trabalhos e espaços dos outros. Nós temos de ter cuidado com as nossas falas”, rebateu Chico Filho. 

 

O vereador Brivaldo Marques (MDB) também falou sobre o assunto e ressaltou que assinou a CEI e, inclusive, apoia a Comissão. Já Luciano Marinho (MDB) se disse “incomodado” com as insinuações. “Somos sete vereadores do MDB e ninguém foi pressionado. Eu estava viajando e tomei conhecimento da existência da CEI pela imprensa. Tentaram expor os vereadores do MDB”, colocou Marinho, classificando as “insinuações” como infantis e para causar discórdia.

 

Olívia Tenório (MDB) também destacou que não recebeu ligações e que até se ofereceu a participar da CEI presidida por João Catunda. “Eu procurei o vereador (Catunda), inclusive, para participar da Comissão. É essencial que deixemos explícito aqui que esse tipo de pressão não ocorreu. Deixar subentendido não é bacana. Enfraquece o parlamento e atrapalha os trabalhos”, destacou Tenório.

 

A fala mais dura veio do vereador e líder do governo, Siderlane Mendonça (PL): “Foi feita uma coletiva de imprensa, aqui na Câmara, sem consistência. Se há isso (ligações para pressionar vereadores), que o vereador Catunda possa revelar, ao invés de mostrar informações que não existem. Que Catunda possa provar e não desestabilizar a Casa, de forma infantil, para – em época eleitoral – ganhar pauta e bandeira”. 

 

Mendonça chegou a pedir que o presidente da Casa, Galba Novaes Netto (MDB), trocasse o comando da Comissão por “alguém com condições de presidir a CEI”. 

 

De acordo com a vereadora Silvânia Barbosa (MDB), o governador Paulo Dantas (MDB) jamais ligaria para qualquer vereador para exercer pressão em relação à CEI, lembrando que assinou a Comissão. “Essa CEI é para dar uma fala à população”, concluiu. 

 

Os discursos dos vereadores surgiram ao redor do pronunciamento do vereador Joãozinho (PSD), que também colocou o apoio à CEI, mas que não sofreu qualquer tipo de pressão.

 

“Eu não gosto muito de polemizar. Mas queria dizer que não recebi ligação de ninguém, não fui procurado. É importante o nosso papel de fiscalizar, mas vamos ter bom senso para decisões equilibradas e seguir os nossos procedimentos com harmonia”, pontuou Fernando Holanda (MDB).

 

Catunda

 

O vereador João Catunda também comentou o assunto: “Eu gostaria de falar aqui para Vossa Excelência algo que eu e os membros da Comissão fizemos questão de reiterar diversas vezes: a unidade desta Casa. Não podemos nos deixarmos levar por títulos de matérias, nas quais a própria matéria é diferente do título. Em momento algum eu falo de vereadores do MDB. Todos os momentos em que eu falei, firmo e friso sempre a unidade desta Casa quando se trata da Comissão Especial de Inquérito voltada à BRK”.

 

Ele segue: “Ontem eu frisei é que os vereadores puderam assinar, quem não assinou não estava na sessão, mas que todos se colocaram à disposição de discutir o assunto como merece ser discutido”.