O Jornal Estadão de São Paulo teve acesso a decisão da ministra Laurita Vaz, do Supremo Tribunal de Justiça, no qual ela destaca os motivos que a levaram a tirar o governador Paulo Dantas da chefia do Executivo estadual por 180 dias no âmbito de investigação sobre suposto esquema de corrupção na Assembleia Legislativa de Alagoas. O afastamento acontece a 20 dias da eleição do segundo turno em Alagoas, onde, de acordo com as pesquisas, Paulo Dantas lidera a corrida contra o senador Rodrigo Cunha.

De acordo com os trechos publicados pelo jornal Estado de São Paulo, foi visto pela ministra Laurita Laz – responsável por assinar a medida – como uma maneira de ‘estancar atuação de organização criminosa, proteger o patrimônio público e evitar interferências indevidas’ nas apurações sobre suposto esquema de ‘rachadinha’. A magistrada entendeu que havia ‘justa causa’ para que fossem ordenadas as diligências executadas na segunda etapa da Operação Edema, nesta terça-feira, 11, se dizendo ‘absolutamente cônscia do gravame que atinge as instituições públicas envolvidas, além dos próprios investigados, dentre eles, o atual Governador, que disputa a eleição para novo mandato’.

O inquérito se debruça sobre supostos ilícitos praticados desde 2019, mas, segundo Laurita Vaz, há ‘fartos e robustos indícios de que a atividade da organização criminosa’ prosseguiu mesmo após Paulo Dantas assumir o Governo do Estado, em maio. Segundo ela, os crimes foram e continuam sendo cometidos ‘com indizível escárnio, acumulando enormes prejuízos aos cidadãos e às instituições’. Para a relatora, o cenário demandava ‘pronta resposta’ do Judiciário.

Ainda de acordo com os trechos trazidos pelo Estadão, a Procuradoria Geral da República sustentou que a manutenção de Paulo Dantas no governo do Estado ‘coloca em evidente risco a aplicação da lei penal, a investigação e a instrução criminal’, alegando que, eventual permanência do emedebista no Executivo significaria a continuação ‘de forma contumaz’ da prática. Para a PGR, a ‘sangria dos cofres públicos somente seria estancada’ com o afastamento do governador. 

A PGR não ignorou o fato de Dantas disputar as eleições 2022, sustentando que a candidatura demonstra sua relevância na ‘estrutura política’ de Alagoas. “O fato de Paulo Dantas disputar a permanência no Executivo no pleito eleitoral que se aproxima, contando com o apoio maciço da Assembleia Legislativa e estando no controle da máquina estatal, demonstra a relevância do atual Governador na estrutura política de Alagoas”, sustentou a PGR. Enquanto isso, a Polícia Federal chegou a descrever o governador afastado como ‘principal beneficiário e autor intelectual dos desvios’ sob suspeita

Após a deflagração da Operação Edema, o governador afastado divulgou a seguinte nota:

 

“Revela-se grotesca a ‘ação’ – na verdade, ‘encenação’ – de uma ala da Polícia Federal, que permitiu ser aparelhada para atender interesses político-eleitorais, tentando dar um golpe na minha candidatura à reeleição de governador de Alagoas para favorecer o candidato de Arthur Lira, Rodrigo Cunha. Sob pretexto de investigar acusações de 2017, essa parte da PF pediu à Justiça o meu afastamento do cargo, a três semanas do 2º turno, e estando com 20 pontos de vantagem. 

A tentativa de criar alarde perto da confirmação da vitória é fácil de ser desconstruída: foi anunciada por adversários, evidenciando a manipulação da operação policial. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, por exemplo, já havia ameaçado, na véspera do 1º turno, revelar no 2º turno detalhes da operação, que seria sigilosa. Aos que acham que os alagoanos são manipuláveis por uma fake news travestida de oficialidade, a nossa campanha avisa: nosso povo não se rende a enganações e sabe muito bem a origem das mentiras. O recurso judicial será firme, e vamos seguir rumo à vitória.”