Maragogi acorda mais triste nesta segunda-feira. Faleceu na  tarde deste domingo, 19 de junho de 2022, Maria José Ferreira, a Mestra Dudé da Barra Grande. Descansou por volta das 15:48 horas, na UPA de Maragogi.

O Secretário de Cultura e Esporte de Maragogi, José Carlos Vanderlei e todos os funcionários  da Cultura, com muita dor pela perda, se solidarizam com familiares e amigos de Maria José Ferreira, a Dudé da Barra Grande.

​Maria José  era Mestra de folguedos, e guardava na memória o Auto de natal chamado Lapinha sendo a última detentora desse conhecimento  em Alagoas. Dudé foi mestra e professora de Pastoril, ministrava  grupos de baianas, lecionou durante  meses o pastoril no município de Porto de Pedras, dançava, cantava e dividiu composições em parceria com o saudoso Mestre Tião do Samba de Matuto.  Dudé estava concorrendo esse ano a Patrimônio Vivo de Alagoas pela Secretaria da Estado. Desde muito jovem, sempre participou dos folguedos em Maragogi. A Mestra Dudé  trazia em sua bagagem de experiências pessoais, algumas brincadeiras da cultura popular, entre elas a Lapinha, que se encontrava em vias de extinção.

​A Lapinha configura-se como um auto de natal, conhecido também como teatro dramático por conter em sua estrutura de apresentação, encenações, cantos, danças e poesias recitadas . Consta que este Auto de natal teve seu início em Portugal por volta de 1584, século XVI. O folguedo já estava em processo de desaparecimento e sua única representante e detentora desse saber empírico estava em Maragogi. Hoje, a Cultura fica mais triste, Maragogi perde Mais uma estrela,  mais uma riqueza patrimonial  do Estado que se despede para sempre nos deixando saudades mas também um legado. A Lapinha de Dudé está registrado em filme e será publicado em livro num futuro próximo, transmitindo aos novos brincantes o repasse de seus saberes.

​Certa vez, perguntei a Dudé qual a brincadeira que ela mais gostava de fazer e ela respondeu assim: “Gosto de todas as brincadeiras, mas acho a Lapinha muito importante e diferente, parece um teatro”. E acrescentou:  “O pessoal me conhece e sabe que eu gosto de brincar, gosto de fazer o Pastoril, gosto de dançar na quadrilha de São João, gosto de dançar o Samba de Matuto, que é meu maior prazer, e gosto de fazer a Lapinha” .

Dudé nunca estava triste e se despediu da vida em mês das grandes comemorações juninas. Que seu espírito siga leve  e voe direto para brilhar no Céu!!!

 

​Ismélia Tavares/ Pesquisadora e historiadora