MP apura se humorista cometeu crime de preconceito contra surdos

Redação*|
Léo Lins
Léo Lins / Foto: Assessoria

O procurador-geral de Justiça em exercício, Valter Acioly, recebeu na quarta-feira, 18, os representantes da comunidade surda, Adeilson Alves e Isabel Alvim, que protocolaram um pedido de providências em desfavor de Léo Lins.  O Ministério Público do Estado de Alagoas vai apurar a denúncia formalizada pela Associação dos Surdos de Alagoas contra o humorista que se apresentou recentemente em Maceió. 

A assessoria de Comunicação do Ministério Público ressaltou que vídeos divulgados anunciando o evento e, ainda durante o show, realizado no dia 30 de abril, Lins teria feito gestos e dito palavras preconceituosas contra as pessoas surdas, fazendo piadas contra aquele tipo de deficiência. Para a chefia da instituição, Léo Lins agiu de forma desrespeitosa e o seu comportamento vai ser apurado com a urgência que o caso requer.

Após receber os relatos do ocorrido, a chefia do Ministério Público garantiu que o fato será investigado em duas frentes: “Vamos apurar nas esferas cível e penal para saber se está configurada a violação a algum direito dos surdos e se houve mesmo o cometimento de crime de preconceito. Pelo que nos foi explicado, o humorista agiu de maneira intolerante, com posturas irônicas reprováveis ao zombar de uma deficiência que exige respeito por parte da sociedade”, declarou.

Por meio da intérprete Aline Trindade, o representante da Associação dos Surdos de Alagoas, Adeilson Alves, disse que a queixa apresentada ao Ministério Público não busca apenas a punição para Léo Lins e que o objetivo também é conscientizar a sociedade sobre os direitos do segmento que ele representa. “Estamos aqui como minoria linguística, reivindicando o respeito pela Língua Brasileira de Sinais (Libras) e pela identidade e cultura surdas. Nós não nos entendemos como pessoas incapazes por causa da surdez, podemos e temos capacidade para fazer o que quisermos, como qualquer pessoa sem deficiência”, disse ele.

Ao final do encontro, o procurador-geral em exercício reforçou o compromisso do Ministério Público em defesa da dignidade humana e se comprometeu em dar celeridade à apuração. “Essa falta de empatia, com um comportamento preconceituoso, não ofende apenas os surdos, ela também é uma ofensa a toda sociedade. O Ministério Público repudia atos como esse e adotará as providências necessárias e, em breve, a comunidade surda terá uma resposta sobre esse caso.

*Com assessoria

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