Presidente do Solidariedade em Alagoas, a pedagoga Suele Pinheiro conversou com o CadaMinuto sobre os desafios de presidir a legenda no estado, os rumos do partido neste ano e a aposta no protagonismo feminino.
Ela explicou que o Solidariedade é um dos poucos partidos que possui uma secretaria da mulher independente e, nesse ponto, “podemos dizer que nos sentimos confortáveis e estimuladas a vivenciar o processo político, uma vez que vemos de forma corriqueira a presença de mulheres competentes e engajadas vivenciando os bastidores da política, mas, em termos práticos, são escanteadas do processo em favorecimento dos ditos ‘homens de partidos’".
A pedagoga ressalta, no entanto, que a escolha de uma pré-candidata mulher para o Governo de Alagoas, Mônica Carvalho, não implica numa imposição partidária, “mas no entendimento comum de que temos uma candidata competente e habilitada a fazer esse papel. O nome de Mônica Carvalho reúne a sobriedade dos que avaliam pela capacidade e não por gênero. Estamos longe de nos tornar as amazonas da contemporaneidade”, brincou.
E completou: “Nosso partido busca ser plural, a construção se dá na pluralidade, e, nesse sentido, podemos dizer que todos, homens, mulheres, jovens, periféricos ou não podem fazer parte dessa construção, desde que estejam alinhados no entendimento de que nossa sociedade pode ser mais justa e equilibrada”.
“Ainda assim, não podemos deixar de mostrar nosso orgulho em apresentar a primeira candidatura feminina ao governo de nossa história, já que até então os postulantes ao cargo sempre foram homens. Nacionalmente falando, teremos a candidatura de Mônica Carvalho e Marília Arraes (em Pernambuco), uma dobradinha que muito nos orgulha, visto que Marília é um grande expoente da política nacional”, completou.
Questionada se ela própria irá disputar o pleito em outubro, respondeu que o “Solidariedade em Alagoas ainda é uma realidade muito recente, uma criança de colo”: “A princípio, enquanto dirigente, não entendo que esse seja o ponto principal a se pensar. Seguimos focados em alinhar nossas ações para a construção partidária. Além disso, temos excelentes nomes, de mulheres e homens comprometidos em fazer história em Alagoas”.
Mulheres na vida pública
Acerca da simbologia de presidir um partido em Alagoas, analisou: “Ser mulher em qualquer circunstância que não implique o ‘poder’ doméstico e maternal ainda é uma realidade pouco comum e aceitável em Alagoas. Quando partimos pro campo político, claramente tocamos em pontos ainda mais sensíveis, isso porque nossa estrutura social entende que, enquanto mulher, a realização profissional está quase sempre fadada entre a escolha do universo maternal e doméstico à vida pública”, analisou.
Ela pontuou que as dificuldades de ser mãe, profissional, dona de casa e enveredar no universo político partidário dificulta a participação e a manutenção, de forma efetiva, de mais mulheres na vida pública.
“O desafio é imenso em vários sentidos, mas dois, em especial, me inquietam profundamente: o primeiro é o de fazer com que as mulheres alagoanas compreendam que o fazer político independe de titulações e mandatos partidários, mas do desejo comum de transformação. São as nossas experiências e trocas que geram o conhecimento de nossa realidade. É preciso segurar as mãos e seguir juntas a fim de eliminar esse olhar que sempre delega nossas vidas e necessidades ao olhar do outro”.
Outro pronto, segundo a presidente “consiste no chamamento de mulheres para essa necessária construção de luta, mas, para isso, compreendemos a necessidade de se pensar a presença e permanência dessas mulheres, levando em conta todas as adversidades que vivem, principalmente quando comparamos nossa realidade ao universo masculino”.
Campanha presidencial
Em relação a campanha de Lula (PT), Suele confirmou que o Solidariedade pretende marchar com todos os partidos alinhados no apoio ao ex-presidente e pré-candidato à presidência.
“Participaremos de reuniões para definir nossa contribuição nos comitês pró-Lula, inclusive na coordenação. Entendemos que essa união seja fundamental para o projeto de reconstrução nacional e que esse pacto signifique bem mais que a união de siglas, mas a união de uma ideia de Brasil que se distancia de todo o retrocesso trazido pelo governo Bolsonaro ao longo dos últimos anos. Trabalhar para eleger Lula presidente no atual contexto é imperativo!”, finalizou.
