Trazendo a Maceió seu novo show, “Portas”, nesta terça-feira (03), a cantora Marisa Monte apresenta ao público músicas inéditas, após passar 10 anos sem produzir um trabalho autoral. Em entrevista exclusiva ao CadaMinuto, a artista falou sobre pandemia, o cenário político e cultural brasileiro e sua nova turnê. Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Portas é seu primeiro disco solo em dez anos e, segundo sua própria análise, representa “incerteza, angústias e medos”. De que forma a pandemia e o isolamento social te inspiraram a voltar com um projeto solo?
Depois da minha última grande turnê, Verdade Uma Ilusão, fiz vários projetos colaborativos. Um projeto especial para o BAM em Nova York, uma turnê longa pelo Brasil com o Paulinho da Viola, um disco inédito, um DVD e uma turnê mundial com os Tribalistas. Eu sabia que era hora de voltar a mim e já tinha a maioria das canções prontas.
Quando começou a pandemia eu estava prestes a entrar no estúdio, tivemos que adiar e adaptar os planos para a nova realidade.
O repertório é resultado de muitos encontros, parcerias e desse tempo. Novos parceiros como Marcelo Camelo, Chico Brown, Pretinho da Serrinha, Seu Jorge, Flor, Jorge Drexler foram surgindo. E ainda Arnaldo, Carlinhos, Nando, Arto e Dadi que continuam por perto. Foi um milagre para nós conseguir encontrar no meio de uma pandemia, fazer um disco com o espírito coletivo, ao vivo no estúdio, todo mundo tocando junto. Era o que mais queríamos naquele momento de solidão e isolamento. Acho que a alegria desses encontros está presente e deu força às canções.
Cores fortes e otimismo, características presentes na temática de Portas, podem ser considerados uma resposta à situação em que o Brasil se encontra hoje em dia?
Eu compartilho todos os sentimentos de incerteza, angústias e medos desse momento trágico que estamos vivendo, mas através da arte quis oferecer uma resistência poética, criativa e amorosa. Apesar de todas as dificuldades e da retração democrática, acredito que estamos no processo evolutivo civilizatório, e que se avaliarmos uma curva de tempo mais larga, de 50 ou 100 anos, certamente perceberemos os avanços no campo da ciência, do comportamento, dos direitos civis e das liberdades individuais, das questões de gênero e raça. Nesse momento difícil, meu desejo era conectar as pessoas com esse senso de esperança e com a certeza histórica do progresso e da evolução civilizatória.
Depois de quase dois anos sem sentir o calor da plateia, tendo que recorrer a redes sociais para interação com o público, como é voltar a percorrer o Brasil (e o mundo) com uma turnê?
É muito emocionante ver o público entre lágrimas e sorrisos nos palcos do Brasil e do mundo. A sensação é um misto de alegria, alívio e saudades.
Qual é a sua expectativa em relação à política brasileira no âmbito da cultura?
Gostaria que o Brasil tivesse um governo com mais consciência da potência econômica que significa a cultura e a indústria criativa. Nosso setor gera muitos empregos, é uma parcela considerável do PIB, fomenta economia de outros setores, além do valor intangível e imaterial, representa o Brasil no mundo. Vejo hoje uma falta de noção dessa grandeza e um grande desperdício como a cultura é tratada. Lamento muito. Porém isso faz com que eu me sinta mais motivada a fazer a arte e cultura. Precisamos poder imaginar um país melhor para torna-lo realidade.
O que o público de Maceió pode esperar da noite do dia 3 de maio?
Músicas de várias fases da minha carreira e um reencontro emocionante e inesquecível depois de tanto tempo para celebrar a vida através da arte.
SERVIÇO
Marisa Monte - show Portas
Local: Teatro Gustavo Leite – Centro de Convenções de Maceió (Rua Celso Piatti, 280-372)
Dia: 3 de maio de 2022
Horário: 21h
Abertura da casa: 20h
Valores:
Plateia: R$ 200,00 (meia-entrada) e R$ 400,00 (inteira)
Mezanino: R$ 125,00 (meia-entrada) e R$ 250,00 (inteira)
Ponto de vendas: Petit Paris - Av. Dr. Antônio Gomes de Barros, 215 - Jatiúca
Vendas online: www.eventim.com
ATENÇÃO: TÊM DIREITO A COMPRAR MEIA-ENTRADA - ESTUDANTES, PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, PROFESSORES E MAIORES DE 60 ANOS.
*Estagiária sob supervisão da editoria









