Foi no dia 3 de março de 2018 que moradores de vários bairros de Maceió sentiram o chão tremer. Asfaltos cederam e rachaduras surgiram nas paredes dos imóveis do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Hoje essa história completa quatro anos.

Caminhar pelas ruas dos bairros traz uma sensação de cenário de guerra. Há casas destruídas, ruas vazias e muros pichados com frases de dor, revolta, saudade e lembranças de quem foi feliz ali.

Foto: Bruno Levy/CM

Ao todo, 57 mil pessoas foram atingidas pelo afundamento do solo. Somente um ano depois do tremor que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) afirmou que a extração de sal-gema feita pela Braskem na região, provocaram a instabilidade do solo. Em maio de 2019, a petroquímica interrompeu a mineração e paralisou a operação da fábrica de cloro-soda na cidade. 

Ao Cada Minuto, Maurício Sarmento, que integra a coordenação do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem disse que o salgado da situação é negativo.

Ele destaca que são indenizações que não foram pagas, acordos firmados sem a participação popular. “E acordo que não contempla os interesses dos atingidos. É uma situação complicada’.

Maurício reforça a situação de quem mora nos Flexais de Baixo e de Cima, na região de Bebedouro. “Apesar de termos diversos relatórios afirmando que vivemos em área de risco, a Defesa Civil de Maceió, os MPs e a Defensoria Pública não reconhecem”.

O integrante do movimento disse que a Defensoria Pública resolveu aderir aos anseios da comunidade, mas que a situação ainda é de incerteza.

Mudança no trânsito

Com os bairros de Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro e Mutange praticamente vazios, o transporte público desfez rotas de ônibus, e linhas precisaram ser extintas ou alteradas. 

A mudança no transporte público trouxe consequências para os passageiros e rodoviários: o trânsito mais caótico (principalmente na Avenida Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro), mais gasto de combustível e, claro, mais tempo para o passageiro chegar ao destino.

Caso virou documentário

O cineasta ativista Carlos Pronzato lançou em agosto de 2021, o documentário “A Braskem passou por aqui: A catástrofe de Maceió”. De acordo com ele, o documentário tem a função de expressar a dor de cada pessoa afetada, e dar visibilidade e voz a quem não está tendo.