As moedas e as notas em geral são adornadas com citações, emblemas e imagens históricas do país. No caso dos Estados Unidos, o quarter - moeda que representa 25 centavos de dólar - já teve estampado os rostos de personalidades como Abraham Lincoln, Thomas Jefferson e George Washington ao longo dos anos.
Embora estas sejam todas figuras importantes na história dos EUA, todas elas têm uma coisa em comum: são homens. As mulheres, principalmente as mulheres de cor e das minorias, têm estado sub-representadas em uma das moedas favoritas do país. Mas isto está prestes a mudar.
O programa American Women Quarters da Casa da Moeda dos EUA comemorou alguns dos rostos femininos mais famosos que fazem parte da história dos Estados Unidos. A famosa escritora Maya Angelou será a primeira mulher negra a ser homenageada e com ela virão outras quatro mulheres durante os próximos quatro anos.
O contexto da campanha
O uso de dinheiro físico no mundo todo vem diminuindo. De acordo com uma pesquisa da Atlanta Fed, no ano 2020 as transações com dinheiro nos Estados Unidos caíram para 18,6%, menos de um em cada cinco. Durante a pandemia, a preferência dos consumidores pelo uso de cartões, desde a compra de alimentos até fazer o login em um site de loteria para comprar seu bilhete semanal, disparou em todas as indústrias, principalmente por conta das preocupações do público com relação à limpeza das notas e moedas.
No entanto, a homenagem da Casa da Moeda dos EUA às mulheres que contribuíram na sua história e cultura, é um marco importante. Apesar do declínio no uso de dinheiro, a Casa da Moeda criou quase 15 bilhões de novas moedas em 2020, de modo que este rostos de mulheres famosas vão chegar a todo canto dos Estados Unidos.
Maya Angelou é a inclusão mais notória na lista. A legendária escritora de “I Know Why the Caged Bird Sings” (Eu sei porque o pássaro canta na gaiola) - um livro de memórias que descreve suas lutas com o racismo durante sua adolescência - será retratada com os braços estendidos e as asas do pássaro atrás dela (uma homenagem ao livro), e um sol nascente.
Angelou, que escreveu 35 outros livros e recebeu mais de 20 títulos honoríficos, participou de momentos importantes da história dos EUA. Ela leu o seu poema On the Pulse of the Morning (No pulso da manhã) na posse de Bill Clinton em 1992 e foi condecorada por Barack Obama com a Medalha Presidencial da Liberdade em 2010.
Janet Yellen, Secretária do Tesouro dos Estados Unidos, comentou que o redesenho da moeda nacional dá a chance ao país de prestar homenagem às notáveis mulheres que contribuíram para a sociedade, e Angelou é uma delas.
Mas o que podemos dizer das outras mulheres que em breve aparecerão em uma das moedas mais famosas do mundo?
Sally Ride
Alan Shepard foi o primeiro americano a entrar no espaço sideral em 1961, 22 anos antes que uma mulher americana pudesse fazer o mesmo. Sally Ride foi essa pessoa, seguindo os passos de Valentina Tereshkova, quem fez história como a primeira mulher a fazer isso duas décadas antes.
Ride fazia parte da maior tripulação até aquele momento. Uma equipe de cinco pessoas onde ela era uma especialista em missões. A missão de seis dias também foi a mais complexa de todas: a equipe lançou dois satélites comerciais e Ride operava o braço robótico que devia implantar o primeiro satélite para recuperá-lo dois dias depois.
A astronauta recebeu inúmeros prêmios, assim como seu ingresso no Hall da Fama da Aviação. Sua imagem na moeda mostrará Ride ao lado de uma janela de ônibus espacial com o Planeta Terra ao fundo.
Wilma Mankiller
A luta por direitos iguais para os nativos americanos é uma questão recorrente na curta história dos Estados Unidos.
O Projeto Bell Waterline, que lutou para dar água corrente às comunidades Cherokee, chegou às manchetes nos anos 80, e os esforços de Wilma Mankiller foram a força motriz por trás do eventual sucesso do projeto.
Ela se tornou a primeira mulher chefe da Nação Cherokee em homenagem a seu trabalho, e por seu legado e impacto, ela é uma escolha ideal para o programa de moedas.
Adelina Otero-Warren
Uma das questões de igualdade de direitos mais importantes do século XX foi o direito de voto das mulheres, liderado por figuras influentes como Adelina Otero-Warren. Nascida de uma família hispânica, esta nativa do Novo México trabalhou incansavelmente pelos direitos das mulheres em seu estado.
Ela se tornou a primeira mulher hispânica a concorrer ao Congresso dos Estados Unidos após fazer campanha para ratificar a 19ª Emenda para a inclusão da educação hispânica. Também lutou para incluir o espanhol nos esforços de sufrágio em benefício do povo hispânico, e do avanço da educação bicultural.
A moeda da Adelina mostrará três flores de Yuca - um símbolo tradicional hispânico - e a inscrição Voto para la mujer, o equivalente espanhol do slogan do sufrágio “Votos para las Mujeres”.
Anna May Wong
Anna May Wong superou o preconceito racial para contribuir com a sociedade e tornar-se a primeira grande estrela do cinema chinês-americano estrelando nos filmes mudos de Hollywood dos anos 1920. Mas apesar da fama, ela teve que deixar o país após sofrer discriminação constante.
Contudo, ela ainda conseguiu aparecer em mais de 60 filmes durante uma carreira distinguida, e até mesmo estrelou uma opereta chamada Tschun Tschi onde falava fluentemente alemão. Nos anos 50, ela se tornou a primeira asiática-americana a apresentar um programa de televisão americano na Galeria da Madame Liu-Tsong.
Após morrer de um ataque cardíaco em 1961, com apenas 56 anos de idade, o Asian American Arts Awards renomeou um prêmio anual em sua homenagem. Ela também é frequentemente listada como uma inspiração para os atores asiáticos de hoje devido a seu trabalho pioneiro.
