O único líder político em Alagoas em condições de falar de igual para igual com Marcelo Victor é, hoje, o deputado Arthur Lira.

Independentemente das razões que levaram ao surpreendente crescimento do presidente da Assembleia – o que inclui a fragilidade de Renan Filho -, o presidente da Câmara Federal se tornou um dos personagens mais importantes da República, uma espécie de copresidente da República, com o controle sobre boa parte do orçamento do país em 2022.

Muito visitado neste período do ano, Lira tem dito aos seus interlocutores que está “fechado com Marcelo Victor”.

Ou seja: eles vão atravessar 2022 juntos, com projeto de poder que se estende para os próximos quatro anos.

O presidente da Câmara não faz restrições à escolha de Paulo Dantas para o lugar de Renan Filho, mas diz que a vaga de vice (tampão, inclusive) será indicação dela.

Outra exigência: o grupo dos 16 (deputados) de MV tem de ser dividido, eleitoralmente, caso contrário o União Brasil sairá das mãos do presidente da Assembleia.

Não creio em ruídos na comunicação entre Arthur Lira e Marcelo Victor. Os dois são profissionais e, independentemente da vaidade que carreguem junto com o poder, sabem que divididos perderão muito da sua força local. Um não precisa explicar ao outro o que eles devem fazer para que permaneçam fortes. 

O exemplo de Renan Filho é evidente demais para ser ignorado.