Ricardo Mota
Ricardo Mota

Na terra de Zumbi não há um só deputado negro - isto pode mudar em 2022

Ricardo Mota|

É dura a constatação de que na terra de Zumbi, comandante do Quilombo dos Palmares, que resistiu praticamente um século, não há um só negro entre os 27 deputados estaduais (nenhum, pelo menos, que se apresente como tal).

Deixo claro que não acho que esta seja a causa principal da persistente injustiça social que mora no Brasil, desde sempre, e que em Alagoas parece desconhecer os avanços civilizatórios. 

É, porém, uma das mais perversas consequências da nossa construção histórica, baseada na escravidão e no racismo.

Aliás, as relações de poder no Brasil – incluindo Alagoas - estão baseadas ou replicam os valores de uma sociedade escravocrata, autoritária e que louva os privilégios de alguns poucos segmentos políticos e econômicos “embranquecidos”.

Hoje, a Casa de Tavares Bastos possui a maior bancada feminina da sua história, com seis mulheres. Um avanço importante, mas ainda insuficiente e que precisa de maior diversidade explícita.

Já a bancada federal de Alagoas, com nove deputados e três senadores, repete a mesma situação. O deputado Paulão, do PT, tem uma estreita ligação com o movimento negro em Alagoas, mas se declarou “pardo” na inscrição de candidato.

É claro que esse cenário diz muito sobre nós e o nosso inegável racismo estrutural, mas ele pode começar a mudar com a ajuda, ainda que compulsória, dos partidos, nas eleições deste ano.

Uma resolução dos TSE, de dezembro de 2021, manda que as legendas antecipem os recursos da campanha eleitoral – fundo eleitoral – para os candidatos negros e para as mulheres postulantes aos votos dos eleitores.

Ao contrário da última eleição, quando esta ação ficou para a reta final da campanha, as mulheres e os negros devem receber o dinheiro para a campanha até o dia 13 de setembro, 19 dias antes da eleição – também a data final para que as campanhas apresentem a prestação de contas parcial.

(30% para as mulheres, em torno de 50% para negros e pardos – incluindo as mulheres.)

Ainda que não resolva integralmente, ajuda a nivelar uma disputa que tem sido extremamente desigual, além de chamar a atenção da sociedade para a injusta participação de negros e mulheres no poder. 

SOBRE O AUTOR

Jornalista, escritor e músico.

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