O senador Renan Calheiros traz na longeva carreira política – mais de 40 anos – certa coerência ideológica, sempre mais ligada à chamada esquerda à brasileira.
Não teve nenhum prurido, é verdade, ao embarcar na aventura collorida na presidência da República, se tornando líder do direitíssimo e fisiológico PRN.
Era esta a legenda que levou o então governador de Alagoas, Fernando Collor, à presidência da República. De lá, Calheiros saiu a mil, depois de levar a maior rasteira da sua história política pessoal.
Hoje, mais do que nunca, o ex-presidente do Senado está abraçado ao projeto da boa parte da esquerda nacional, que pretende levar Lula mais uma vez ao Planalto. E ele segue o script com profissionalismo - e ninguém questiona sua opção política.
Eis que na terra em que o calheirismo busca os votos para manter-se forte em Brasília, o filho do senador, governador e também Renan chamado, se aninha cada vez mais com a direita local.
O grupo que comanda a Assembleia Legislativa é claramente à direita dos aliados de Renan no plano nacional. Mas é nesse grupo que o governador se enturma e segue a condução do líder comum – dos deputados e dele. Deixando claro que ser direita ou esquerda, desde que respeitando o jogo democrático, é legítimo e merece respeito. Aqui há uma constatação e não uma acusação. Destaco, por óbvio, as diferenças no plano político dos Calheiros pai e Filho.
É bem verdade que o governador nunca teve um olhar especial para questões sociais, o que caracteriza a atuação da esquerda no mundo inteiro, mas o pragmatismo leva, definitivamente, o herdeiro do calheirismo para um ninho visivelmente antagônico ao lulismo, por exemplo.
E Lula?
Deste, o pai cuidará.
E Filho?
Deste, Marcelo Victor guarda o futuro.
