Renan Filho amadureceu como governador nos seus quase sete anos de Palácio República dos Palmares, mas tem tudo para terminar o segundo mandato como um articulador político infantojuvenil, na formação e composição de alianças.

Durante todo este tempo, manteve-se distante, quase inacessível a deputados, prefeitos e demais lideranças políticas locais, deixando claro que esperava, como uma força da Natureza, que todos fossem a ele por gravidade, em decorrência dos seus méritos.

Nem mesmo a humilhante derrota que lhe foi imposta pela Assembleia, em fevereiro de 2019, na eleição da Mesa Diretora, lhe fez mudar a postura imperial.

Conhecido pela autossuficiência quando aborda os temas da sua seara – não sei se ele se interessa por algo mais de importância para a vida comum -, deixou de ouvir o “velho” senador Renan, o primeiro-tio Olavo, além dos mais próximos e encanecidos assessores. Fez ouvidos moucos aos poucos que já apontavam, lá atrás, a grave deficiência do governo e dele próprio. 

Resultado: Renan Filho termina sua obra de engenharia político-administrativa com bons resultados na gestão financeira e da saúde, mas sem uma ponte sequer para fazer a travessia do seu final de governo até o futuro próximo, incerto para qualquer um que não se creia um deus. Não tem um candidato a sucessão e não parece com força, tempo e disposição para construir uma alternativa.

É claro que a saída de Luciano Barbosa do governo, ele que nunca foi bem visto no Palácio – nem seria candidato à reeleição pelo voto direto -, complicou a situação do governador, que nada fez, porém, para virar um jogo que já parecia muito desfavorável a ele. 

Esperou mais do que podia e devia, viu a cavalaria da Casa de Tavares Bastos passar e lhe fazer engolir poeira. Achava que faria a hora, porque dela sabia como ninguém. Ouvindo apenas a própria voz, nunca trabalhou, efetivamente, por um nome que pudesse representá-lo e ao seu grupo nas disputas de 2022 – a indireta e a direta.

Tem tudo para seguir o mesmo caminho dos seus antecessores – Ronaldo Lessa e Téo Vilela -, que chegaram ao fim dos respectivos mandatos vivendo a “solidão da lua” (Jorge Cooper, que faria 110 anos, esta semana), para ficar apenas neste verso, sem direito ao menos de dar um pitaco sobre as respectivas  sucessões. 

Ele poderia ainda, é verdade, lançar um candidato para chamar de seu, na briga pelo voto popular, se concluísse o mandato de governador - como queria o senador Renan, até recentemente. Seria nadar com muito esforço, numa travessia de incertezas, porém de alguma grandeza. 

O mais provável, no entanto, é que o Filho deixe mesmo o governo em abril e siga boiando na correnteza já direcionada por Marcelo Victor. Ele sim, senhor dessas águas, esperando apenas receber os cofres do Estado abarrotados, com a possibilidade de fazer o bem olhando a quem.

Tem mais: se MV assim quiser, Renan Filho será até beneficiário da sua bondade, desde que tome emprestado, e apaixonadamente, o candidato da Assembleia ao Palácio. Mesmo que seja o dantes improvável Dantas. 

Se não...

Em tempo

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