O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta 6ª feira (13.ago.2021) a devolução do passaporte do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, revogando a ordem que proibia o político de deixar o país. 

“Considerando a natureza restritiva de liberdade da medida, entendo que esta deve buscar lastro, igualmente, em fatos contemporâneos que justifiquem a sua imposição, o que não é o caso dos autos, sobretudo por não haver nenhum notícia recente da existência de qualquer fato que aponte para um possível risco de o paciente se esquivar da aplicação da lei penal”, disse o ministro.

Crivella é investigado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Ele foi preso em 2020 acusado de chefiar o “QG da propina”. Depois de passar para o regime domiciliar, o próprio ministro Gilmar Mendes autorizou o ex-prefeito a responder em liberdade. Impôs, no entanto, medidas cautelares, como a entrega do passaporte.

O político foi à Justiça Eleitoral para pedir que a restrição fosse suspensa. Disse que queria exercer suas atividades religiosas normalmente. Em julho, o juiz Marcel Laguna Duque Estrada, da 16ª Zona Eleitoral, manteve a proibição de Crivella se ausentar do país.

De acordo com o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), Crivella montou um esquema de propinas que teria arrecadado cerca de R$ 53 milhões. Além dele, outras 8 pessoas foram alvo de pedidos de prisão preventiva.
Em junho, o governo brasileiro enviou pedido para que a África do Sul receba Crivella como seu embaixador. A decisão partiu do presidente Jair Bolsonaro, que pretende com esse gesto resgatar parte do apoio da Igreja Universal do Reino de Deus perdido com o episódio da expulsão de religiosos de Angola.

A indicação de Crivella como embaixador em Pretória pode reduzir ou eliminar a ameaça de perda do apoio da Universal a Bolsonaro. A igreja fundada por Edir Macedo, tio de Crivella, criticou a falta de ação do governo no recente caso da expulsão de 34  bispos de Angola. Também indicou que congressistas do Republicanos, partido ligado à Universal, deixariam a base de apoio ao governo.