Na manhã desta terça-feira (10), um comboio de veículos militares do Exército do Brasil passou em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. O desfile de tanques e armamentos, que é um evento promovido pela Marinha do Brasil foi alvo de polêmicas e críticas, já que aconteceu no mesmo dia em que deve entrar na pauta da Câmara a proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso.

Nas redes sociais, políticos alagoanos repercutiram o tema e manifestaram suas opiniões.

O senador Renan Calheiros (MDB) disse que prefere acreditar que “as Forças Armadas obedecem à hierarquia e não precisam exibir força para animar as pirações de Bolsonaro”.

“Também prefiro acreditar na altivez da Câmara e do Senado. Seus presidentes não devem se prestar ao papel de bater palmas para doido dançar”, ressaltou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), chamou de “trágica coincidência” o anúncio da exibição dos veículos militares blindados na Esplanada dos Ministérios, na manhã de hoje.

“Eu encaro isso como uma trágica coincidência. Não é que eu apoie essa demonstração. Bem verdade, eu procurei informações, essa operação Formosa acontece desde 88 aqui em Goiás”, disse Lira. 

“Não é uma coisa inventada, mas também nunca houve um desfile para a operação Formosa na Esplanada dos Ministérios que foi parar na frente do Palácio do Planalto. Eu acredito que, com relação à votação, não deveremos ter problema. Se os deputados quiserem e a população achar que é conveniente, podemos, a gente pode adiar a votação”, declarou o alagoano ao portal Antagonista.

Compartilhando uma publicação do ex-presidente Lula (PT), o deputado federal Paulão (PT) disse que tem “total concordância” que “não tem carta pra conversar com militares. Se tivesse carta seria para o povo brasileiro e dentro disso estão os militares. Se militar quiser fazer política ele renuncia o cargo, tira a farda e se candidata. Não tem problema”.

No final da publicação, o ex-presidente disse que “isso que aconteceu hoje foi uma coisa patética. Se o Bolsonaro queria uma foto com militar era só ter visitado um quartel”.

Tereza Nelma (PSDB) classificou como “inconveniente” que um Estado Democrático de Direito realize um desfile de tanques “justamente no dia em que votamos um tema que é de interesse direto do presidente”.

“Não é competindo forças com as instituições que vamos construir um país melhor e mais igualitário”, reforçou. “Se o desfile foi uma tentativa de intimidação, creio que não funcionou. Nossa bandeira continua sendo a democracia”.

O deputado estadual Ronaldo Medeiros (MDB) chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “jagunço” e disse que ele quer usar as Forças Armadas como uma “milícia presidencial”.

“Quer colocar tanques de guerra na rua no dia que o projeto do voto impresso será analisado. A covardia de Bolsonaro só aumenta”, criticou.

 

*Estagiária sob supervisão da editoria