Você se sente influenciado por uma pesquisa eleitoral para decidir seu voto? A sua respostas pode reforçar a ideia proposta no Projeto de Lei que pretende proibir a divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem o pleito. A proposta está em tramitação na Câmara dos deputados e é baseada no fato de as pesquisas eleitorais estimularem o chamado voto útil, quando o eleitor vota em quem tem mais chances de vencer segundo as pesquisas e não de acordo com a sua livre manifestação da vontade.
Essa tese é rebatida por institutos alagoanos que realizam o levantamento da intenção de votos nos municípios alagoanos antes e durante a disputa eleitoral. No ano passado, durante a campanha, o resultado das pesquisas foram usados como conteúdo de marketing pelos candidatos para demonstrar o crescimento no apoio da população e a indicação de uma vitória nas urnas.
A cientista política, Luciana Santana, afirma que as pesquisas eleitorais são instrumentos de informação sobre a opinião dos eleitores em relação à corrida eleitoral, não impactam resultados, mas permitem que o eleitor possa tomar outra decisão, diferente da que tomaria, nas urnas.
Para o diretor do Instituto Brasileiro de Pesquisas e Desenvolvimento Institucional, o Ibrape, Francivaldo Diniz, há um lado positivo neste projeto, mas defendeu que a pesquisa eleitoral não é um instrumento que busca influenciar a decisão do eleitor.
“A total proibição dessas pesquisas soa como uma medida antidemocrática, uma vez que poderia configurar uma espécie de censura à informação. Porém em uma eventual aprovação desse projeto, ele iria resolver dois problemas que vêm sendo visto nas últimas eleições, que um é a judicialização das pesquisas eleitorais e o segundo problema é a criação de institutos que surgem somente nas vésperas de eleição para divulgar pesquisa”, defendeu Francivaldo.
Questionado sobre a influência da pesquisa na decisão do eleitor, o diretor do Ibrape disse que isso é improvável e explicou como avalia essa afirmativa que é defendida pelo projeto. “A pesquisa influencia de maneira mínima, pois se houvesse toda essa influência que se propaga que o eleitor deixa para se decidir pelas pesquisas divulgadas, as primeiras pesquisas teriam se mantido até o dia da eleição e o que vem ocorrendo é que o eleitor tem deixado para decidir o seu voto mais próximo do dia do pleito”, finalizou.
Conforme a avaliação e o entendimento técnico do diretor e consultor político do instituto Data Sensus, Eugênio Albuquerque, a pesquisa eleitoral é um instrumento de informação e não para que venha influenciar a decisão do eleitor. “É tanto, que grande maioria destas pesquisas servem para consumo interno, só que quando ela é registrada perante a lei, ela pode ser divulgada”, disse.
Eugênio comentou ainda que não acredita que esse projeto seja aprovado, mas salientou que apesar disso, defende que haja uma fiscalização mais rígida. “Quanto aos erros de pesquisas, acredito que deve haver uma rígida fiscalização nos institutos de pesquisas eleitorais sobre a forma como é feita e sobre os resultados, pois é possível sim erros”.
Após afirmar que é possível haver erros em meio as amostras, o diretor e consultor político do instituto esclareceu que há dois tipos de erros e que eles são distintos. “Existe o erro que pode ocorrer dentro da margem de erro, que em sua maioria é de cinco por cento e existe o erro que pode ocorrer de maneira criminosa e a única solução nesse sentido é uma fiscalização e uma legislação mais rígida para os criminosos do meio. Existem sim criminosos no meio, mas os institutos sérios não podem pagar a conta. Não é se utilizando de projetos desta natureza que vai se resolver o problema. Esse projeto impede que a sociedade tenha direito a informação”, disparou.
*Com supervisão da editoria.