Foto: Agência Brasil
Urna eletrônica

A cada eleição municipal, quando os brasileiros vão às urnas para eleger vereadores e prefeitos, um tema volta aos debates. Nas redações, nas varandas, em pontos de ônibus e em fóruns sobre a disputa eleitoral, a pergunta sem resposta é: a disputa para prefeito influencia a eleição para governador e, principalmente, para presidente da República, dois anos depois? Em outras palavras, o que se discute é se o resultado das urnas agora em 2020 pode ser decisivo, em algum nível, para o que ocorrerá em 2022.

 

Uma coisa não tem nada que ver com a outra, dizem alguns analistas, de forma bastante incisiva. Segundo essa interpretação do jogo eleitoral, a parada municipal envolve algumas variáveis muito particulares e que mexem com a cabeça do eleitor de um modo preciso. Isso quer dizer o seguinte: o povo quer resolver problemas como posto de saúde, escola deficiente, sujeira nas cidades etc. Não haveria, por aí, espaço para questões nacionais, muito menos para brigas sobre ideologia disso ou daquilo. A população quer um “gerentão”. 

 

Mas será que é assim mesmo, com essa simplicidade automática e pronto? Não parece. Basta ver o momento atual. Depois de afirmar que não se meteria na guerra miúda pelas prefeituras Brasil afora, o presidente Bolsonaro parece ter mudado de opinião. Segundo seus últimos movimentos, ele pretende associar sua imagem a alguns candidatos nas capitais. Uma obsessão pra Bolsonaro é levar a prefeitura de São Paulo – o que seria um duro golpe no governador tucano João Doria, que aposta todas as fichas na reeleição do prefeito Bruno Covas.

 

Nacionalizar a campanha que em tese deveria ser voltada para debater questões regionais. Essa foi uma receita adotada em outros momentos nas disputas pelo país. Aqui mesmo em Alagoas essa vinculação entre os candidatos à prefeitura e o panorama da política nacional se deu mais de uma vez – como nas disputas de 1988 e 1992. Ou seja, tem um tempo danado que esses movimentos aparecem (às vezes mais, às vezes menos) no jogo do poder.

 

No Brasil de hoje, dois anos depois da onda que elegeu Bolsonaro, com tudo o que isso deu ao país até agora, cá estamos na primeira eleição municipal sob o atual governo. E fala-se da posição de Bolsonaro na eleição como se falava de FHC, Lula e Dilma no tempo deles. O ocupante do Palácio do Planalto vai ou não vai pedir votos para algum candidato a prefeito ou a prefeita? No princípio, como dissemos antes, a conversa era de não interferência do presidente em disputa nenhuma. Mas essa postura não demorou muito. Bolsonaro será cabo eleitoral. Vai pedir votos para afilhados.

 

Fato é que Bolsonaro, embora desperte adesão incondicional e, ao mesmo tempo, repulsa barulhenta, não tem lá muita importância na eleição de Maceió. O fato de nem estar filiado a um partido talvez contribua para essa indiferença. O resultado da disputa na capital alagoana não afeta nem o presente nem o futuro de Jair Messias.

 

Portanto, sim, uma eleição local pode ser “nacionalizada” em alguma medida. Mas não parece que seja este o mais quente dos temas a mobilizar os candidatos. Talvez seja o contrário. Tem encrenca de sobra à espera do novo titular no comando dessa maravilha de cidade que é Maceió. E, quanto a 2022, nada indica que as eleições lá adiante venham a ser seriamente influenciadas pelo nosso voto de 2020, marcado em primeiro turno para 15 de novembro.