O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nessa sexta-feira (2), que os partidos políticos devem promover igualitariamente entre os candidatos negros e brancos recursos de financiamento de campanha e do tempo de propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio.
Ao CadaMinuto, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, afirmou que, para os partidos, esta pauta sempre foi tratada como secundária, mas que, a partir de agora, e por lei, eles são obrigados a dividir este bolo.
Para a coordenadora, é importante que os candidatos pretos agarrem essa conquista, mas tendo a consciência de que é fruto de uma luta antiga do movimento negro, e não um presente dos poderes.
“É um espaço de reparação que precisa ser bem aproveitado pelo povo preto. Necessitamos ter conhecimento desses âmbitos de poder e levar essa questão mais adiante. Quando você conquista um espaço midiático onde pode contar a sua história, ela vai circular”, destacou.
Ela também mencionou a falta de posicionamento de candidatos pardos e pretos que irão concorrer nas eleições deste ano, questionando se os mesmos irão, a partir dessa determinação, passar a se afirmar. Segundo Arísia, a fragmentação e a falta de foco de muitos movimentos enfraquece a luta antirracista e fortalece o lado dos que se beneficiam disso.
“O candidato é preto, mas é apoiador do Bolsonaro e defende que a luta do movimento negro é ‘mimimi’. Será que agora ele vai querer usar as cotas? Ele sabe que é preto, mas não tem a consciência. Agora ele tem um espaço para falar sobre a sua pretitude, mas não tem vivência de luta. Essa postura precisa ser superada. Leis pelas quais a gente tanto lutou estão criando espaço e chegando para mais gente”, concluiu.
*Estagiário, sob a supervisão da editoria
