Reunir a família para comemorar aniversário de um ente querido em tempos de pandemia tornou-se uma atitude inapropriada. A recomendação de isolamentos social, forma mais segura de evitar a contaminação pelo novo coronavírus, impossibilita a celebração e os abraços destinados aos aniversariantes. No entanto, apesar do distanciamento também ser um ato de preservar a saúde de quem se ama, muitas pessoas têm buscado alternativas criativas, viáveis e emocionantes para demostrar seu amor e celebrar a vida.

Os filhos da pedagoga Ana Lúcia de Oliveira Magalhães realizaram uma “serenata” para homenageá-la pelos seus 71 anos de vida. Eles chamaram um músico que cantou, clássicos da música brasileira, e leu mensagens escritas pelos filhos, para que a mãe pudesse ouvir e curtir em uma sacada do prédio onde reside, no bairro da Ponta Verde, em Maceió.

Ana Lúcia faz aniversário no dia 25 de maio. Na tarde da data especial, ela foi convidada pelo músico e instrumentista, Passos Júnior, para se dirigir ao play do edifício. Respeitando as recomendações de distanciamento e de higiene, para o combate ao coronavírus, a aniversariante colocou uma máscara e aceitou o convite do músico, sem saber a surpresa que a aguardava.

Ao chegar no play, Ana Lúcia foi surpreendida. Ela ouviu, emocionada, mensagens gravadas por seus filhos e netos e se surpreendeu ainda mais, quando o filho, Passos Júnior, apareceu com uma faixa e iniciou a serenata, cantando clássicos da música brasileira como “Fascinação”, “Eu sei que vou te amar”, além de sucessos mundiais como “New York, New York” e até “Ave Maria”.

A matriarca da família Oliveira Magalhães chorou de emoção. Vizinhos e moradores de edifícios próximos também acompanharam e curtiram a homenagem das varandas e sacadas, e aproveitaram o momento prazeroso e feliz, em meio a situação de quarentena, devido à pandemia mundial.

Um dos filhos de Ana Lúcia, Claúdio Júnior, mora em Arapiraca e organizou a homenagem, pois a família não pôde se abraçar e festejar a data juntos, porque estão longe desde o início do decreto de emergência, em vigor no Estado. Ele ressaltou a vida sofrida, cheia de conquistas e reviravoltas da mãe.

“Minha mãe nasceu no interior de Arapiraca, no Sítio Mocó. Casou jovem, aos 18 anos, morou em Arapiraca, Sergipe e Maceió. Adotou duas meninas, minhas irmãs, tem três netos –duas meninas e um menino- e em breve será bisavó. Ela ficou viúva e enfrentou um câncer no mesmo ano. Ela merecia uma homenagem”, conta Cláudio Júnior.

Ana Lúcia casou aos 18 anos de idade e teve que se mudar diversas vezes, devido ao trabalho do marido. Em 1919, aos 30 anos, ficou viúva e descobriu um câncer de mama, pouco tempo depois.

“Levei ela para São Paulo para iniciar o tratamento, mas o mesmo foi concluído aqui, em Maceió. Hoje, graças a Deus, ela está totalmente recuperada, vivendo plenamente junto a todos os seus, que a amam incondicionalmente. Por tudo isso, decidimos realizar essa homenagem de aniversário nesse tempo conturbado de pandemia mundial”, disse o filho emocionado.