Em resposta a uma consulta feita pela Defensoria Pública Estadual (DPE/AL), a Sociedade Alagoana de Infectologia (SAI) elaborou um documento onde concluí que a decretação de ‘lockdown’ na Região Metropolitana de Maceió, que compreende a 13 municípios, poderia ser benéfica no combate ao avanço do novo coronavírus.

Segundo o estudo, em Alagoas, a Região Metropolitana de Maceió teria a mais alta incidência de caos de Covi-19 do Estado, classificada de acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde em incidência Média (40-60% em relação à média nacional). O relatório aponta ainda que, avaliando os últimos Boletins Epidemiológicos divulgados pela Secretária Estadual de Saúde (Sesau), mesmo com medidas mais rígidas, como as aplicadas nos decretos, o número de óbitos e casos continuam a aumentar e cita o exemplo da semana de 26/04 a 02/05, quando ocorreram 26 mortes em decorrência da doença.

Composta por 13 municípios (Atalaia, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Murici, Paripueira, Pilar, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Satuba), a Região Metropolitana de Maceió possui 1,4 milhão de pessoas, pouco mais de 40% da população de Alagoas, que é de mais de 3,322 milhões de habitantes, mas tem Maceió como epicentro da Covid-19 no estado.

A SAI também avaliou que para os demais municípios alagoanos ‘lockdown’ seria indicado caso a doença agisse de forma mais agressiva, com número de 2 óbitos/ 100 mil pessoas.

No documento, a entidade afirma que o ‘lockdown’ levaria a uma redução de 75% da circulação de pessoas nas cidades e a medida poderia ser ativada toda vez que o número de mortes atingisse um certo patamar semanal, até que o número de mortes semanais caísse, o que levaria em torno de um mês, e depende fortemente da capacidade de reorganização dos sistemas de saúde neste período. “A liberação de uma circulação irrestrita após este período, no entanto, levaria a um rebote do surto, fazendo com que o gatilho fosse disparado diversas vezes ao longo da epidemia”, diz trecho do estudo.

Apesar de concluir que o modelo de medida mais restritiva seria benéfico, a SAI recomendou também que outros setores e especialistas também sejam ouvidos e destacou fatores que devem ser observados como: a disponibilidades de ambulatórios e locais especializados para atendimento, ampliação de leitos no setor privados e no SUS (tanto de UTIs quanto de enfermarias) e o monitoramento diário e ininterrupto, in loco, da ocupação dos leitos pelas secretarias municipais de saúde.

Entre as outras ressalvas apresentadas no documento, está a intensificação das medidas de segurança para os profissionais da saúde e a comunicação de detalhada de ações e resultados, de forma clara e mais fiel possível para a população, “primando pela da construção de confiança e empatia”

Segundo a SAI, o estudo é baseando em recomendações do Ministério da Saúde do Brasil e do Imperial College de Londres. O modelo já foi adotado por vários países da Europa e pelos Estados Unidos da América.

O documento foi publicado no blog do Jornalista Ricardo Mota, que afirma que o defensor-geral Ricardo Melro, já teria encaminhado o mesmo para secretário estadual de Saúde, Alexandre Ayres, assim como para o secretário municipal, José Thomaz Nonô.

Durante coletiva online, nesta sexta-feira (16), Ayres falou, que junto com o governador, Renan Filho, tem conversado diariamente com infectologistas para ver as medidas a serem adotadas no combate ao coronavírus no estado, devido ao crescente número de casos.

As medidas do último Decreto Estadual seguem até a próxima quarta-feira (20) e apesar de todas as determinações de restrição, como uso de máscara, isolamento social e suspensão de serviços não essenciais, o número de casos de Covid-19 tem aumentado em Alagoas.

 

*Sob supervisão da editoria