O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro declarou no sábado (2) que o presidente Jair Bolsonaro o pressionou em março de 2020 a trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, o delegado Carlos Henrique Oliveira de Sousa, que estava no cargo apenas desde novembro de 2019. Segundo Moro, o presidente teria dito "mais ou menos" o seguinte, em uma mensagem por telefone: "Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro".

Moro disse que estava em Washington (EUA) em uma missão oficial com Maurício Valeixo, então diretor-geral da Polícia Federal, quando Bolsonaro o procurou por uma mensagem de aplicativo Whatsapp. Não fica claro, no depoimento, se Moro tem cópia da mensagem.

Segundo Moro, Bolsonaro não explicou os motivos da substituição.

"[Moro] esclarece que não nomeou e não era consultado sobre as escolhas dos superintendentes; essa escolha cabia, exclusivamente, à Direção Geral da Polícia Federal; nem mesmo indicou o Superintendente da Polícia Federal do Paraná; os motivos para essa solicitação entende que devem ser indagados ao Presidente da República", disse Moro, segundo o termo de depoimento que prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

 O ex-ministro disse que chegou a conversar com a troca com Valeixo, e ambos chegaram a cogitar a exoneração do delegado do Rio "para evitar uma crise", mas depois Valeixo "afirmou que não poderia ficar no cargo se houvesse uma nova substituição sem causa do SR/RJ por um nome indicado pelo Presidente da República". Valeixo teria dito ainda que "estava cansado da pressão para a sua substituição e para a troca do SR/RJ". O delegado foi mantido na superintendência.