Ele é um menino preto, 16 anos e traz consigo as aprendizagens do mundo.É um menino criado pelas leis das ruas. Relaciona poder com armas na cintura.
Ele fala da mãe,uma trabalhadora, todavia a figura do pai é uma vírgula pausada em sua história. Pergunto por ele e o menino responde, aparentando, indiferença:- Ele se foi.
Por mais que se perceba como "um bandido", há no menino uma ingenuidade medrosa e por um momento se torna a criança de não teve tempo de viver.
Converso com ele buscando seus olhos,desvia, até que me olha de frente e fala que precisa voltar às ruas. -"Tenho muito pra fazer, professora e aqui dentro não posso fazer nada."
Insisto em relação aos estudos e com desdém vem a resposta:- "Não fui feito para isso. Deixei a escola na 3ª série, bem no comecinho , qundo era criança". Indago, com palavras repletas de porquês.
-"Não fui feito pra isso. Não é para mim"- acrescenta, cheio de certezas.
Ele é um menino preto, de 16 anos, morador da periferia, filho de uma mãe trabalhadora e um pai que se foi.
"Nasci para ser bandido, e um dia eu vou ser o dono da favela"- diz o menino.
The end?
"Meu pai abandonou a gente faz tempo, e um dia eu vou ser o dono da favela"-afirma o menino socioeducando.
11/08/2019, 14:27 - Raízes da África
Por Arísia Barros

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