Os ‘super-heróis da Lava Jato’ estão sendo colocados em seus devidos lugares após revelações da Folha, The Intercept e UOL - entre outros veículos de comunicação - de conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro, procuradores e Polícia Federal.

Não que o que vem sendo tornado público até o momento tenha capacidade de anular as decisões já tomadas, que fique claro, mas serve para colocar cada um em seu lugar, inclusive quanto à recuperação institucional do STF.

A resposta dada pelos ministros ao cancelarem a decisão da juíza Carolina Lebbos de transferir o ex-presidente Lula para São Paulo e os bastidores do Supremo evidenciam tal fato.

Primeiro, a ordem da magistrada foi interpretada como uma estratégia para desviar o foco do vazamento de mensagens de Deltan Dallagnol e Sergio Moro.

Há, inclusive, a suspeita de que no pedido de transferência de Lula feito pela PF e na decisão da magistrada tem o dedo influente do atual ministro da Justiça.

Segundo, o presidente do STF, Dias Toffoli, ao avisar internamente que iria suspender a transferência foi informado que teria o apoio majoritário dos membros da Corte.

Portanto, uma decisão individual recebeu o apoio de quase todos os ministros, inclusive daqueles citados como alinhados à Lava Jato, casos de Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, o que evitou o possível desgaste individual do presidente.

E, por último, a reação negativa de cerca de 10 partidos políticos, de todas as tendências, também trouxe confiança, além do silêncio do clã Bolsonaro, seus aliados no Congresso e nas redes sociais, provavelmente gratos por outra decisão de Toffoli que suspendeu, anteriormente, investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Por fim, ‘o projeto que pune o abuso de autoridade deve ser analisado na próxima semana. Estava previsto, mas “o momento veio a calhar, disseram líderes de centro”, de acordo com reportagem da Folha.