Depois da fábula, o filme. Em 2015, a cantora Cris Braun pensava em realizar um novo álbum, o quarto de sua carreira solo — o anterior, Fábula, saíra em 2012. Convidou o tecladista, produtor e arranjador Dinho Zampier (metade da dupla Figueroas) para a empreitada, que acabou mudando de rumos: surgia ali Filme, projeto de Cris e Dinho que é uma trilha sonora imaginária para um filme que não existe.
“O desejo de compor uma trilha sonora foi o ponto de partida. E, como não havia nem haverá o filme, usamos a narrativa musical-sonora como fio condutor, e não uma história ou roteiro de texto. O que, por outro lado, nos deu bastante liberdade para imaginar e permitir que o ouvinte também imagine a história que quiser”, explica a cantora.
A trama que a dupla conta está nas entrelinhas dos climas das vinhetas e dos temas destes personagens imaginários. E esses climas são criados em gêneros variados que passam por psicodelias setentistas, jazz, pop futurista, folk e ritmos nordestinos. “Ninguém sabe se é uma história, um sonho ou um delírio”, instiga Cris Braun.
Com 11 faixas, o disco teve nove músicas compostas especialmente para ele, com exceção de “Escorpiões”, de Alvin L, do repertório dos Sex Beatles (banda cult do anos 90, onde Cris era vocalista) e “Sento in seno ch'in pioggia di lagrime “, releitura a la Dave Brubeck de uma ária da ópera Tieteberga, de Antonio Vivaldi. Uma espécie de ensaio aberto em Maceió, no fim de 2016, deu uma prévia do que seria o trabalho.
O disco foi produzido por Cris Braun e Dinho Zampier, que também ficou responsável pelos teclados e programações. Amigos de longa data, os músicos e produtores Sacha Amback e Billy Brandão foram convidados para produzir uma faixa cada: “Harpia” e “Cheio”, respectivamente. O trabalho ainda contou com Toni Augusto (guitarras, violão e guitarlele), Ykson Nascimento (baixo), Thiago Herculano (violino), Alisson Paz (bateria) e Walter Costa (programações adicionais).
Sobre Cris Braun
Nascida no Rio Grande do Sul, Cris Braun viveu em Maceió e passou 25 anos no Rio de Janeiro, onde se lançou como cantora, em 1985. Integrou o grupo cult Sex Beatles, com o qual lançou os discos Automobília (1994) e Mondo Passionale (1995), produzidos por Dado Villa-Lobos e Tom Capone. Em 1997, a cantora e compositora lançou seu primeiro solo CD, Cuidado com pessoas como eu, pelo selo Fullgás. Há 11 anos voltou para a capital alagoana. Lá, lançou os álbuns Atemporal (2004) e Fábula (2012).
Sobre Dinho Zampier
Alagoano, Dinho Zampier tocou com diversos artistas de Maceió, como Wado, Vitor Pirralho e Junior (Sonic Junior). Integra a banda Mopho e atualmente é também metade da dupla Figueroas, com repertório de lambada. Seu primeiro trabalho com Cris Braun foi como músico da gravação e da turnê do álbum Fábula (2012), da cantora.
