A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência discutiu, nesta quarta feira (5) as dificuldades e o preconceito enfrentados pelas pessoas com fissuras lábio palatal, conhecida comumente por “lábios leporinos”. O debate foi proposto e presidido pela Deputada Federal Rosinha da Adefal (PTdoB/AL).

A Fissura lábio palatal é caracterizada pela abertura na boca e no palato, e deve ser enquadrada como deficiência física, pois causa deformidade e dificuldades não apenas estéticas. De acordo com a deputada Rosinha da Adefal, essa circunstância muitas vezes não é lembrada e é o cerne do debate proposto.

“Além do estético, as fissuras lábio palatais afetam principalmente os aspectos, funcional e emocional do paciente. Acarreta dificuldades para sucção, deglutição, mastigação, respiração, fonação e audição. Emocionalmente, o ajustamento pessoal e social do indivíduo também é comprometido”, comentou a parlamentar ao iniciar a audiência.

Segundo informações do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP), uma em cada 700 mil crianças que nascem no mundo pode apresentar a fissura labiopalatal. No Brasil, a proporção é de uma para cada 650 nascimentos. Ao todo, apenas 28 hospitais no País fazem o atendimento especializado para o tratamento das fissuras, de acordo com informações do portal do Governo Federal.

O debate abordou a abrangência da fissura lábio palatina, e a necessidade de enquadrá-la como deficiência física, por poder acarretar dificuldades para o desenvolvimento da fala e da audição da criança. A Fissura palatal impacta também na possibilidade e na qualidade da alimentação da criança, dificultando o desenvolvimento físico e o crescimento.

A Audiência Pública contou com a presença do cirurgião plástico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Marconi Delmiro; do otorrinolaringologista e cirurgião crânio maxilo-facial Diderot Parreira; e do analista técnico de Políticas Sociais da Coordenação Geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Eduardo David Gomes de Sousa.

“O grau de complexidade dessa condição necessita de vários profissionais para que atuem de forma precisa para colocar essas pessoas em plena harmonia funcional e anatômica”, explica o cirurgião plástico, Dr. Marconi.

De acordo com os palestrantes, o tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar especializada, composta por médicos - pediatras, otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos, ortodontistas, fonoaudiólogos, psicólogos, geneticistas, radiologistas e protéticos, visando a uma reabilitação morfológica, funcional e psicossocial.

O debate apontou que a dificuldade no tratamento está também na inexistência da notificação compulsória. Muitos indivíduos ficam isolados em casa, sem fazer as cirurgias reparadoras e sem receber os tratamentos a que têm direito. O que traz perdas imensas para os indivíduos com fissura labial.

“Nós temos hoje em condições de realizar esse tratamento e atender a população. Precisamos de apoio do governo Federal para atender essas pessoas de maneira adequada e completa”, solicitou o cirurgião crânio maxilo-facial Diderot Parreira, “estamos fazendo um grito de socorro, por um olhar mais atento do Governo, para devolvermos vida comum para esses pacientes”.