Representantes do Sindicato dos Transportadores Complementares de Alagoas (Sintracomp) pediram o apoio dos vereadores da Câmara Municipal de Maceió (CMM) para intermediar um entendimento com a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) em relação a uma portaria que o órgão pretende editar, limitando o trajeto dos veículos complementares na capital.
Pela nova portaria, os transportadores de linhas metropolitanas, como Rio Largo, Coqueiro Seco, Pilar, entre outras, só podem seguir com os passageiros até o Tabuleiro do Martins, próximo ao Makro. De lá, os usuários teriam que utilizar o sistema de ônibus urbanos para seguir até o destino final. A mudança atingiria mais de 25 mil passageiros.
A princípio, a portaria entraria em vigor na próxima sexta-feira (19). Mas, o vereador José Márcio Filho (PSDB) entrou em contato com o superintendente da SMTT, Antônio Moura, que suspendeu provisoriamente a publicação.
O assunto foi discutido após o fim da sessão ordinária de quinta-feira (11), quando o presidente da Casa, vereador Kelmann Vieira (PSDB), autorizou que representantes dos transportadores utilizassem a tribuna. “Estamos aqui para pedir o apoio de vocês para essa causa porque transportamos um passageiro diferenciado, que vem a trabalho, estudo ou, muitas vezes, por questão de saúde. Queremos tentar suspender a portaria e sentar com a prefeitura para discutir o assunto”, disse o presidente do Sindicato, Maércio Ferreira.
Kelmann Vieira e a vice-presidente Silvânia Barbosa (PRB) se manifestaram favoráveis aos profissionais. Além deles, Galba Netto (PMDB), Samyr Malta (PSDC) e Ronaldo Luz (PMDB) também se mostraram solidários aos transportadores.
“É incrível como essa portaria parece ter influência dos empresários de ônibus de Maceió que, mais uma vez, trabalham para que o lado mais fraco da relação com o consumidor saia prejudicado. Engraçado que quando propomos projetos de lei como a obrigatoriedade do ar-condicionado nos veículos ou a retirada dos chamados “outbus”, proibindo que os ônibus utilizem propagandas na parte traseira dos coletivos, eles não respeitam ou querem dizer que a tarifa pode aumentar por culpa da Câmara”, criticou Silvânia Barbosa.
Kelmann Vieira também mostrou preocupação com a relação dos empresários de ônibus e o cumprimento das leis. “Eu mesmo sou autor de dois projetos de lei. Um que já virou lei e nunca foi respeitado que é o do outbus. Nunca foi colocado em prática por parte do setor em Maceió. E não podemos esquecer as planilhas que foram solicitadas e que ainda aguardamos nesta Casa. Agora, querem tentar fazer com que trabalhadores tenham o seu dia a dia prejudicado. Felizmente, recebemos o anúncio por parte do vereador José Márcio que a portaria não será publicada. Agora, vamos sentar e tentar achar uma saída para o impasse”, declarou.
Para Galba Netto é autoritária a forma como a prefeitura quer estabelecer as regras para os transportadores intermunicipais. “Não existe mecanismo legal, que eu saiba, que autorize o Poder Executivo a trabalhar com Medida Provisória ou Decretos, mas é dessa maneira que se está fazendo em Maceió. Por isso, esta Casa precisa fazer mais parte da discussão do transporte público da capital. Fomos eleitos para representar o povo, e assim devemos agir”, destacou.
*Com Dicom/CMM