O escândalo internacional gerado por conta de uma megaoperação da Polícia Federal, batizado de "Carne Fraca", abalou a imagem da produção de carne brasileira perante seus maiores compradores pelo mundo.

Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, só no dia 21 de março, a média de exportações caiu de US$ 63 milhões para US$ 74 mil. "Estamos falando de números estratosféricos", disse o titular da pasta estimando um prejuízo de US$ 1,5 bilhão por ano conforme os desdobramentos da Carne Fraca forem avançando.

Até o momento, alguns dos maiores compradores de carne brasileira, já anunciaram a suspensão total ou apenas de compra referente às 21 unidades afetadas pelas revelações da PF. China, Japão, Suíça, Chile, Hong Kong, Egito e União Europeia divulgaram medidas neste sentido. Já a Coreia do Sul chegou a suspender a compra, mas voltou a liberar cerca de 24 horas.

Destes que bloquearam ou suspenderam total ou parte da importação da carne bovina, quatro estão entre os maiores importadores em 2016. Hong Kong aparece como líder no ranking, tendo importado 285.095.970 quilos de carne, em mais de US$ 1 bilhão em negócios, seguido por China (R$ 703 milhões), Egito (US$ 176,8 milhões), Rússia (US$ 408,1 milhões), Irã (US$ 96,1 milhões), Chile (US$ 71 milhões) e Estados Unidos (US$ 33,1 milhões).

Dados oficiais do governo mostram que o Brasil exportou, em 2016, mais de 1 milhão de toneladas de carne bovina, sendo que o país corresponde a 20% do mercado internacional de bovinos, suínos e aves. Ainda conforme as informações do Ministério, o setor movimenta cerca de US$ 14 bilhões por ano em exportações.

As mais de 350 páginas do relatório da PF, divulgadas na última sexta-feira (20), no entanto colocaram sombra para além dos 21 frigoríficos investigados - que foram impedidos de exportar carne para o exterior pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Isso porque, entre as empresas investigadas estão duas das maiores do setor no mundo: a Brasil Foods (BRF) e a JBS.

De acordo com a PF, um grupo de fiscais e executivos são suspeitos de negociar propinas para liberar - tanto para o comércio interno como para o externo - carne fora das especificações e dos padrões de qualidade exigidos dessas empresas. A revelação caiu como uma bomba no mercado brasileiro.