Nesta semana o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, deputado Pedro Vilela (PSDB-AL), recebeu a comitiva de representantes da sociedade civil venezuelana que trabalha em apoio à oposição no País para superar a grave crise política e econômica que a Venezuela enfrenta.
O grupo é composto por Alfredo Caronil Hartmann, Francisco Pantaleón Gandais, Robert Gilles Redondo, Josefina Tolentino, o advogado brasileiro Fernando Tibúrcio e o senador boliviano Roger Pinto, que está em asilo político no Brasil desde 2012 por conta de perseguições políticas em seu país.
Além do relato dos abusos praticados por parte do governo venezuelano à população, que hoje se encontra em absurdo desabastecimento de alimentos e medicamentos, a comitiva veio pedir o apoio da CREDN para que os parlamentares brasileiros conheçam de perto a realidade do País, bem como dos refugiados que estão na região norte do Brasil.
Robert Gilles Redondo, refugiado e que atualmente mora em Manaus, contou que não existem perspectivas de mudança no governo. “A população hoje ganha um salário mínimo equivalente a R$ 45, sendo que um pacote de macarrão custa R$ 15”, relatou. “Mais de cem mil venezuelanos cruzaram a fronteira com a Colômbia em um final de semana em busca de alimentos, remédios e produtos de primeira necessidade”, lembrou Robert referente ao acontecido no mês de julho.
À época, o Governo da Colômbia disse que a medida tinha o objetivo de “apoiar de forma solidária a população venezuelana que pede a entrada transitória ao terreno colombiano, cooperar em assuntos que incidam positivamente na região da fronteira e avançar rumo a uma abertura segura e sustentável da mesma”.
No Brasil, em menores proporções, ocorreu o mesmo na fronteira da Venezuela com Roraima.
Segundo o deputado Pedro Vilela, a real situação relatada pelo grupo não é veiculada pela imprensa. Atualmente, existe um grande número de venezuelanos morando nas ruas em Manaus e em Pacaraima (RR) para fugirem de seu País natal. Durante a reunião, Vilela firmou o compromisso de apresentar um requerimento junto à Comissão de Relações Exteriores para que os parlamentares possam ir conhecer a realidade na fronteira entre Roraima e Venezuela.
“Temos que criar uma comissão externa para ir à região norte ver de perto o que está acontecendo. Essa situação também precisa ser debatida em audiência pública aqui na Câmara para que possamos ver como podemos trabalhar no sentido de amenizar esses abusos sofridos pela população”, concluiu.
A audiência pública deve ocorrer após as eleições municipais, quando os parlamentares estão em grande número na Câmara dos Deputados e podem enriquecer o debate.
