Denunciando o que considera uma “falsa polarização que querem colocar goela abaixo do eleitor”, entre as candidaturas de Rui Palmeira (PSDB) e Cícero Almeida (PMDB), o professor de História, Gustavo Pessoa, presidente interino do PSOL em Maceió, anunciou sua pré-candidatura à prefeitura da capital, se apresentando como verdadeira alternativa aos atuais pré-candidatos.
“Partimos da reflexão que, em matéria de política, o eleitorado de Maceió está girando em círculos. São cidadãos que não estão satisfeitos com a representação política, mas continuam votando nesses mesmos candidatos, entre outras hipóteses, por uma ausência de alternativas. É nesse momento que vamos tentar refletir aqui o fenômeno nacional, quando o PSOL conseguiu se materializar como alternativa”, explicou Pessoa.
Ele acredita que sua candidatura pode expressar a renovação na esquerda e no PSOL, que passa por um processo de reconstrução em Alagoas. “Quem poderia ser alternativa com discurso progressista, que represente os direitos humanos? Poderia ser o PT? Não é. Prova disso é que o pré-candidato do partido denuncia um golpe na esfera federal e está aliado aos protagonistas do golpe no plano estadual. Isso esvazia e deslegitima o discurso e sua candidatura”, avaliou, se referindo à pré-candidatura do deputado federal Paulão.
O professor também criticou o fato de Paulão ter hipotecado apoio a candidatura do deputado estadual Ricardo Nezinho (PMDB), autor da Lei Escola Livre, à prefeitura de Arapiraca. “O projeto Escola Livre é uma censura à educação, nascido no seio da família Bolsonaro. São muitas as contradições na candidatura de Paulão”, apontou.
Sobre os demais pré-candidatos, o prefeito Rui Palmeira e os deputados federais Cícero Almeida e João Henrique Caldas (PSB), o psolista resumiu: “Estamos diante de um oligarca de sangue azul e um preposto das oligarquias... A cidade foi privatizada nas gestões de ambos, que têm projetos muito parecidos. E há um candidato (JHC) que tenta ser a terceira via, ocultando também o caráter oligárquico de sua candidatura”.
“Nós apresentamos a alternativa à falsa polarização ou ao triunvirato, a terceira via que não se diferencia em nada das outras duas candidaturas”, prosseguiu o historiador, pontuando que sua candidatura tem como plataforma a democratização do acesso às políticas públicas, colocando o Estado a serviço de quem mais precisa dele, e maior representatividade aos direitos humanos.
Primeira candidatura
Baiano radicado em Maceió há 20 anos, Pessoa já militou no movimento estudantil e participou ativamente das campanhas de Alexandre Fleming – presidente licenciado do diretório municipal do PSOL -, mas essa é a primeira candidatura do professor de História que atua no Campus do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) em Santana do Ipanema.
“Nossa candidatura será digna, modesta, mas o eleitor vai perceber nas grandes candidaturas que não dá pra fazer campanha dessa forma... Será uma candidatura propositiva, responsável, mas, com muita dignidade”, garantiu, lembrando que o partido ainda está discutindo nomes de possíveis candidatos a vice-prefeito na chapa.

“Estamos em processo de debate interno rico, mantendo diálogo com diretórios e devemos lançar candidatos em várias cidades. Já temos inclusive uma pré-candidatura formalizada, a do vereador Mima, do PSOL, à prefeitura de Rio Largo e a da presidente estadual do partido, Eliane Silva, à Câmara Municipal da cidade”, contou o professor.
As coligações também devem ocorrer com partidos de esquerda, a exemplo do PSTU e PCB, conforme orientação nacional. “A princípio, o PSOL lança seu nome e está aberto ao diálogo com outras correntes”, completou.
Ruptura
Em relação ao cenário nacional, Gustavo Pessoa lembrou que o partido fez oposição programática ao governo Dilma Rousseff (PT), mas não deixou de denunciar o processo de afastamento da presidente, considerado pela agremiação “uma ruptura na normalidade democrática”.
“Os argumentos jurídicos para o afastamento da presidente não se sustentam. O PSOL acha que o governo Temer não tem legitimidade absolutamente nenhuma. Infelizmente, acho que o País vai sangrar muito ainda até 2018, para que a gente possa repactuar, através de uma eleição, um projeto com o mínimo de legitimidade”, analisou o pré-candidato.
“Enxergamos uma dinamização no sistema político. As relações promíscuas entre esfera pública e privada, agora estão desnudadas completamente... E isso abre uma perspectiva interessante, de termos agora uma candidatura modesta, digna. O eleitor vai cobrar. Ele vai perceber nas grandes candidaturas, que não dá mais para fazer campanha dessa forma, até porque o preço que a população paga depois é muito caro. Estamos pagando o preço agora de modelo de fazer politica que se esgotou completamente”, finalizou.

