No café da manhã que tornou público o entendimento entre o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e o PROS, além dos caciques da sigla, deputado Bruno Toledo – presidente do Diretório Estadual, e do ex-superintendente da PF em Alagoas, José Pinto de Luna, presidente do Diretório da capital - estavam presentes vereadores, prefeitos e outras lideranças políticas de Maceió e do interior.

Essa plateia de políticos vinda interior entendeu o anúncio da aliança do PROS com o prefeito Rui Palmeira (PSDB) para as eleições em Maceió, este ano, também como uma ponte para 2018. Afinal de contas, Rui e Bruno são jovens dando continuidade ao legado político de suas famílias.

Porém, sem dúvida, a estrela do evento foi Pinto de Luna. Ele virou celebridade em Alagoas por ter sido o condutor da Operação Taturana, em 2007, contra deputados estaduais. E após ter se aposentado da PF, disputou duas eleições pelo PT sem conseguir conquistar os cargos.

Primeiro foi a de deputado federal. Obteve mais de 24 mil votos. Na segunda, para estadual, pouco menos de 4 mil. Este ano ele pretende disputar uma vaga para vereador. Como dizem alguns, “O Pinto ainda quer virar galo na política alagoana”. Entretanto, decisão vai depender de um problema de saúde do seu pai e da chance de disputar com condições reais de vitória.

Leia abaixo entrevista com José Pinto de Luna:

1 - Por que se filiou inicialmente ao PT?

R – Naquela época a legenda era viável. Eu me identifiquei e acreditei no viés social do PT. E o partido, internamente, gostei muito das decisões sendo tomadas em plenárias.

2 – Por que deixou?

R - Não havia espaço e eu me senti sufocado. Eu não errei na escolha. Como diz o ex-presidente Lula, o PT não construiu novos talentos.

3 – Por que a escolheu pelo PROS?

R – Houve o convite do deputado Bruno Toledo, que me deu autonomia para tocar o partido em Maceió. Com todo respeito, gosto de liberdade. Além disso, o PROS é leve.

4 – Opine sobre os atuais casos de corrupção no PT descobertos pela Lava Jato?

R – Incomodou muito. Fica difícil defender bandeiras com esse viés de corrupção. Há coisas estampadas. Não dá pra defender isso de quem é contra. Mas ainda simpatizo com alguns ideais e bandeiras do PT.

5 – Por que o apoio a Rui Palmeira?

R – Independente da legenda, o Rui não se contaminou pelo clima pós-operação Taturana. Ele não fez parte disso. Ele tem conduta. Simpatizo com isso. Não votei nele na eleição passada porque estava no PT. Nunca o critiquei. Ele é uma liderança com muitas perspectivas.

6 – Campanha para vereador terá como tema Operação Taturana?

R – Não. Já o que deu pra falar. Vamos explorar o que deve ser. Como não fazer parte do crime organizado, não se corromper e pensar na população.

7 – Por que ser candidato pela terceira vez. Pinto quer virar galo na política alagoana?

R – Não tenho essa pretensão. Exerci por um mês o mandato de deputado federal e tenho orgulho. Sou pré-candidato a vereador, é uma disputa. Caso não consiga me eleger será a última. Por isso verei e analisarei o cenário para não ser sepultado politicamente. Existe um viés deixado pela vereadora Heloísa Helena (REDE) e eu tenho que ocupar, preencher. Nosso eleitorado tem o mesmo perfil. Eu não compro voto. Agora, além do cenário político tem o problema do meu pai, de 87 anos, que foi diagnosticado com um tumor no rim. Se ele efetivamente vier a precisar do meu apoio não vou trocá-lo por uma eleição.