Quando a gente começa a pensar que o fundo do poço está mais próximo descobre o engano e percebe que tudo é uma miragem apenas. A revelação da gravação do ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB), volta a alimentar a crise, assim como a 30ª fase da Lava Jato.
Como diz o ex-senador Delcídio do Amaral, que teve sua cassação agilizada após manobra de Jucá, "Depois da gravação do Mercadante, Lula e Dilma e essa agora do Jucá, com todo respeito, a minha conversa é uma Disney, uma grande brincadeira".
Só para lembrar, a conversa vazada ocorreu entre Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio machado. Os dois tratavam sobre a criação de um pacto para barrar as investigações da Lava Jato. Para tal intento, Dilma e o PT teriam que cair.
O que acontece agora é que a cúpula do governo e do PMDB temem que outros membros tenham sido gravados e que também sejam atingidos por partes de gravações ainda não reveladas.
Com a saída de Jucá restam cinco ministros do governo Temer com investigações em andamento no STF. E um dos que mais causa preocupação é o ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves. A casa dele já foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Lava Jato, em dezembro.
No novo governo – por enquanto provisório – Romero Jucá, foi um dos principais articuladores para o surgimento do grupo que tomou o poder. Mas ele foi sangrado, é a primeira vítima. E tudo leva a crer que haverá uma nova escalada que atingirá a estrutura da sigla.
Dentro do partido há a angustiosa certeza de que Sérgio Machado, para se livrar das acusações, entregou os chefões do partido: o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA) e Jader Barbalho (PA). A relação dele com essa turma tem cerca 20 anos.
E nada disso significa que a presidente Dilma irá reverter o quadro e recuperar a governança. O desgaste político e administrativo do seu governo é imenso. Portanto, ela é carta fora do baralho dada a falta de base política.
A não ser que o STF anule o impeachment alegando desvio de finalidade, o que vem sendo tentado por aliados da presidente Dilma. O problema é que a questão jurídica não vai resolver a crise política.
Bom, e há saída?
Dificilmente através dos nossos atuais representantes. Os personagens políticos estão contaminados e sem credibilidade.
O sangramento político econômico está longe de ser estancado.