O músico Tony Câmara dá um tempo nas gravações do novo álbum – chamado “Aos Mestres”, mesmo título do DVD lançado no ano passado – para realizar esse show acústico, “intimista”, que a Comedoria Gourmet está divulgando para esta quinta-feira (19), a partir das 20h, dentro do projeto musical da casa que vem sendo produzido semanalmente pelo guitarrista Ricardo Lopes e pelo dono do restaurante, Luiz Guzman.
“É somente eu e a viola [violão], mas eu quero provocar. É para as pessoas criarem um movimento – é para se mexer, para dançar”, afirma Tony Câmara, que há 15 anos dedica-se a “música espiritualizada”, compondo mantras e hinos de louvor.
Sim, os mantras e hinos de Tony Câmara são irresistivelmente dançantes, com essa pegada que mesmo da música nordestina que ele sempre fez, de coco e embolada. “Sim, continuamos tocando coco, embolada, isso traz iluminação, faz parte do repertório de luz.”
Membro do grupo religioso Centro Beneficente São Francisco de Assis, o músico diz que o repertório é de meditação. Mas que o balanço está lá. Eis a nova sonoridade de Tony Câmara: alegre, dançante, totalmente para cima. “Não tem tropicalismo nem bossa nova, é bem caboclo, juremeiro, yogue”, ele explica, espiritualmente falando.
O ritual do centro beneficente do qual esse excelente compositor e instrumentista participa inclui a ingestão do chá de ayahuasca, que é uma combinação de certo tipo de cipó com uma mistura de ervas, encontrados na Amazônia. A porção, conhecida, também, como daime, é usada nos ritos de vários grupos baseados em pajelança, espiritismo e catolicismo. Nesses anos todos de pesquisa em busca de uma sonoridade espiritual, Câmara tornou-se yogue (instrutor), amadurecendo musicalmente como um George Harrison dos trópicos caetés.
“A gente passou um tempo viajando, pesquisando, vivenciando com o nosso guru e criando”, ele conta, avisando que o dinheiro arrecadado em shows vai, também, “para obras de caridade do centro”. “Nós entregamos a sopa, com pão e café, na favela José Aprígio. Fica entre o conjunto Carminha e a Garça Torta [região do litoral norte da capital]. Integramos, também, uma ONG, Arte da Paz, que ajuda nessa atividade.”
Ótima oportunidade para conferir o trabalho desse belo artista, tão inspirado quanto inspirador. Atualmente gravando o CD “Aos Mestres”, diz estar fazendo “uma fusão sonora, buscando o experimentalismo”. “Esse álbum indicará o caminho que vamos seguir daqui para frente. Tem mantra com sanfona, zabumba e triângulo. E tem hino da floresta com bateria, baixo e guitarra”, revela o músico, avisando que lá na Comedoria Gourmet o público pode pedir, sim, um Alceu Valença e um Geraldo Azevedo que ele fará “com o maior prazer”.
