Protocolado ontem, o projeto de autoria do deputado Ronaldo Medeiros (PMDB), que revoga a Lei Escola Livre, repercutiu dentro e fora do plenário da Assembleia Legislativa (ALE) na tarde desta terça-feira, 17.
Em entrevista à imprensa antes do início da sessão, Bruno Toledo (PROS) não poupou críticas à matéria. "Totalmente inusitado, o projeto demonstra total falta de cuidado e respeito ao que o parlamento debate. Parece que o deputado Waldir Maranhão está fazendo escola aqui em Alagoas", alfinetou, se referindo ao episódio onde o presidente em exercício da Câmara dos Deputados anulou a sessão que deu continuidade ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e, horas depois, revogou a anulação.
Toledo prosseguiu afirmando que a tentativa de anular tudo o que foi feito na Casa, "demonstra que muita gente não está preparada para conviver com o contraditório".
O parlamentar disse que irá consultar sua assessoria jurídica sobre a legalidade da matéria e avaliou que ela pode ser barrada ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): "Caso tenha prosseguimento e se o deputado não voltar atrás, como é de costume, quero que o projeto seja logo trazido ao plenário, onde acredito que ninguém vai voltar atrás".
Também em entrevista aos jornalistas, Medeiros argumentou que a Escola Livre só foi realmente discutida após o veto governamental, e defendeu a realização de uma rodada de debates e audiências públicas para debater melhor a legislação, rechaçada pela maioria dos professores. "Que benefício ela traz para educação, para alunos e professores? Essa é a grande pergunta que precisa ser respondida”, afirmou.
O debate entre os parlamentares prosseguiu no plenário da Casa, quando Toledo repetiu, ainda com mais acidez, o que havia dito à imprensa. “Fui surpreendido ontem com o exemplo claro de quem não aceita ser contrariado, de quem não aceita a derrota. Na percepção do deputado Ronaldo Medeiros, o plenário é incompetente. Somos crianças no jardim de infância”, criticou.
Toledo acrescentou: “Vossa excelência saiu do PT, mas o PT não saiu de vossa excelência”, se referindo ao que considera o caráter autoritário da legenda.
Ricardo Nezinho (PMDB) e Francisco Tenório também criticaram a tentativa de revogação da lei.
Medeiros voltou a frisar a importância de que o assunto seja mais discutido na Casa, já que, segundo ele, a lei tem vários pontos polêmicos e causa um enorme dano à educação em Alagoas.
