Em um momento em que boa parte dos partidos políticos foi jogada na vala comum da investigação do maior escândalo de corrupção do Brasil, a Operação Lava Jato, só no ano de 2015 foram criados três partidos políticos no Brasil: Partido Novo, Rede Sustentabilidade e Partido da Mulher Brasileira. Justamente neste cenário de ebulição social e de descrença nos políticos, surgem três partidos que prometem apresentar alternativas à crise de representatividade que paira sobre os brasileiros.
Atualmente, o país possui 35 partidos, sendo 23 deles com representação no Congresso Nacional. A maioria deles não possui programas, bandeiras nem ideais. No entanto, as três novas siglas chegam apresentando particularidades e diferenças que podem sinalizar para um novo momento político-partidário.
Há duas correntes de opinião sobre o número de partidos políticos necessários para operar o sistema político no Brasil. Um grupo que valoriza a “governabilidade” argumenta que ter mais de 20 partidos no Congresso reduz as possibilidades de efetiva governança, que oito ou nove poderiam representar todas as correntes de opinião no país. A outra corrente valoriza a “representatividade”, para esta, quanto mais partidos no Congresso, melhor para representar todas as correntes de opinião.
Pelo menos dois dos mais recentes partidos já possuem representação no Congresso Nacional, ou seja, políticos que se elegeram por outras legendas já migraram para suas novas “casas”. Daí o pertinente questionamento acerca das conveniências e das alianças que o sistema político-eleitoral atual impõe à sobrevivência de quaisquer siglas.
Há onze anos surgiu o PSOL, que apesar de ser uma releitura do PT, com vários de seus ex-filiados, o PSOL nasceu com vitalidade. “São três partidos com características ideológicas e programáticas distintas, mas surgem com vitalidade semelhante ao PSOL, há 11 anos atrás”, lembrou a cientista política da Universidade Federal de Alagoas, Luciana Santana.
Para ela, estes partidos buscam se desvincular do perfil das agremiações partidárias tradicionais. Afinal, muitas delas hoje servem aos caciques da política tradicional, sendo que nos menores estados e municípios, são usados à conveniência dos “coronéis” para agregar coligações com partidos com representação no Congresso Nacional e assim somar tempo para propaganda em televisão e rádio nos períodos eleitorais.
As três siglas tiveram seus registros aprovados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda no ano de 2015. A Rede Sustentabilidade, o Partido Novo e o Partido da Mulher Brasileira possuem posicionamentos ideológicos consistentes e distintos. A professora apontou a referência de cada um dos novos partidos políticos.
“A Rede prega o ambientalismo e a democracia colaborativa. O partido Novo é liberal e defende o Estado mínimo. O Partido da mulher brasileira é o mais controverso, pois prega a centralidade da mulher, mas rejeita pautas importantes dos movimentos de mulheres, além disso, não possui mulheres nos cargos mais importantes do partido”, analisou Santana.
Rede prega construção de sociedade justa, ética e sustentável
Os três partidos políticos já possuem representantes em Alagoas, mas ainda em fase de consolidação. Aquele que já está em estágio mais avançado é a Rede Sustentabilidade, cuja maior referência no país é Marina Silva, que foi candidata à presidência da República em 2014, por meio de uma filiação democrática ao PSB, já que a Rede não conseguiu a aprovação de seu registro junto ao TSE em tempo hábil para as eleições presidenciais daquele ano.
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