Nesses dias em que política e corrupção caminham de mãos dadas e aos beijos, a cada dia a gente não fica surpreso com o que é revelado, mas sim conscientes de que o Congresso Nacional, em sua imensa maioria, está completamente contaminado por acordos financeiros escusos.
Político enriquece repentinamente. E isso passa de pai pra filho. São tantos os parlamentares alagoanos respondendo a processos, caso da Máfia dos Sanguessugas, por exemplo, mas esse é um tema para o futuro.
O que temos visto e ouvido são discursos firmes de oposicionistas. Mas são poucos os que podem verdadeiramente atirar a primeira pedra.
Ontem (2) e hoje (3), em sua página no Facebook, o editor e escritor Luiz Fernando Emediato fez revelações que atingem fatalmente o senador Cristovam Buarque, ex-PT, PDT, agora no PPS.
O senador já disse que vota pela abertura do impeachment de Dilma por causa da corrupção, inflação, crise na economia, enfim. Os ex-amigos dele no PT dizem que o senador tem raiva por ter sido tirado do Ministério da Educação por Lula, que ligou para anunciar a demissão.
Bom, o que diz Emediato, ex-coordenador de campanha presidencial de Buarque, em 2006:
1 –“Cristovam não tem o direito de ser rigoroso com aqueles a quem critica por crimes de ordem eleitoral. Premido pelas circunstâncias, ele acabou aceitando dinheiro de caixa 2 em sua campanha presidencial. No final, também aceitou que parte da campanha fosse paga, irregularmente, pelo PSDB de Geraldo Alkmin, em troca de apoio no segundo turno.”
2 – “A campanha de Cristovam Buarque foi aprovada pela Justiça Eleitoral. Óbvio: ele só declarou, como qualquer um, o que recebeu legalmente.”
Caixa 2 é uma das formas de fazer da política um atividade comercial rentável, do ponto de vista individual e criminoso, claro.
Leia abaixo as duas postagens publicada por Luiz Fernando Emediato e tire as suas conclusões:
Por Luiz Fernando Emediato, em seu Facebook
O DRAMA DE CRISTOVAM BUARQUE
O senador Cristovam Buarque está sendo hostilizado e até abandonado por parte de seus eleitores porque anunciou que vai votar, no Senado, pela abertura do processo de impeachment, enquanto reflete - porque está indeciso - se vai votar a favor ou contra quando chegar a hora do julgamento final.
Coordenei a campanha presidencial de Cristovam Buarque em 2006. Ele é assim mesmo, confuso. É também muito vaidoso, meio ególatra e carrega o enorme ressentimento de ter sido demitido por Lula - pelo telefone - do cargo de ministro da Educação.
Na minha opinião, como Cristovam está em dúvida, ele deveria se abster em ambas as votações.
Dilma pode ser uma má presidente, mas não cometeu crime de responsabilidade nem está envolvida em corrupção , como muitos de seus acusadores.
Finalmente, Cristovam não tem o direito de ser rigoroso com aqueles a quem critica por crimes, por exemplo, de ordem eleitoral. Premido pelas circunstâncias - a necessidade de pagar seus marqueteiros - ele acabou aceitando dinheiro de caixa 2 em sua campanha presidencial.
No final, também aceitou que parte da campanha fosse paga, irregularmente, pelo PSDB de Geraldo Alkmin, em troca de apoio no segundo turno.
Na política brasileira, infelizmente, ninguém é santo.
Nem mesmo Cristovam.
Em tempo: trabalhei para ele de graça, por pura amizade e convicção. Também doei uns trocados para a campanha dele - mas não foi por caixa 2.
Por Luiz Fernando Emediato, em seu Facebook
O DRAMA DE CRISTOVAM BUARQUE - 2
Não queria voltar a esse lamentável assunto, mas o senador Cristovam Buarque, com uma desastrada declaração ao Congresso em Foco, obriga-me a fazê-lo.
Revelei aqui que em sua campanha presidencial de 2006, que coordenei de graça, por simpatia e amizade, Cristovam infelizmente foi obrigado pelas circunstâncias a aceitar doações não contabilizadas de pelo menos uma empreiteira, de um ex-banqueiro, por recomendação da campanha de Geraldo Alckmin, também candidato à presidência, e da própria campanha de Alckmin, em troca de apoio no segundo no segundo turno contra Lula.
Em vez de se explicar - ou de me processar - Cristovam disse ao Congresso em Foco que “a Justiça deveria reabrir todas as prestações de contas de candidatos assessorados por Emediato, ele deve saber de muita coisa e poderia até fazer uma delação premiada”.
Cristovam deve ter enlouquecido. Eu não assessoro mais nenhum candidato desde que fiz a campanha dele, há 10 anos. Já não assessorava naquela época, aliás. Eu edito livros. E delação premiada quem faz é criminoso, para atenuar sua pena.
Como trabalhei de graça para Cristovam, não fui evidentemente pago com os recursos de caixa 2 que ele recebeu. Não cometi crime algum. Caso a Justiça queira saber dessa história, quem poderia fazer delação premiada seria ele, que usou o dinheiro em seu benefício, e não eu.
Em tempo: a campanha de Cristovam Buarque foi aprovada pela Justiça Eleitoral. Óbvio: ele só declarou, como qualquer um, o que recebeu legalmente.